Sete legendas brasileiras uniram-se para repudiar de forma veemente a manifestação divulgada pelo senador e candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), na qual ele se autoproclamou “verdadeiro presidente do Brasil”. A nota conjunta foi assinada por PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT após o parlamentar embarcar para os Estados Unidos.
Rejeição às urnas e críticas à fuga
Na avaliação das legendas progressistas, o comportamento adotado reflete um padrão histórico da família. O documento aponta que “não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas” e reforça que a “contestação do resultado [das eleições] não se sustenta”.
O texto oficial também repudia as alegações de supostas arbitrariedades, destacando que não há qualquer tipo de perseguição no país. Segundo os partidos, o senador optou por deixar o território nacional com o objetivo óbvio de escapar das responsabilidades perante o Poder Judiciário.
Apoio internacional sob suspeita
A publicação do manifesto ocorreu nesta quarta-feira (28), logo após a chegada do parlamentar em solo norte-americano. Na ocasião, o político tentou invalidar o pleito ao criticar a extensão do horário de votação, taxando a medida como “evidência de fraude”, muito embora a própria campanha dele tenha sido uma das solicitantes da mudança, além de alegar sofrer “perseguição política”.
Diante da articulação externa, os partidos firmaram posição contundente: “O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto [ao presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições”.
Validação institucional do pleito
O bloco partidário lembrou que a lisura do processo foi oficialmente validada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques — magistrado indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O chefe da Corte eleitoral classificou o pleito como “as eleições mais inclusivas da história da República brasileira” e atestou que elas “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.
Apesar de o ministro ter mencionado que “todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”, o TSE, a totalidade das legendas — incluindo o PL — e observadores internacionais independentes atestaram a legalidade da disputa.
Dados estatísticos e histórico golpista
Para desconstruir a narrativa de fraude baseada no horário de votação estendido, o bloco apresentou números concretos. As legendas pontuam que “A contestação do resultado não se sustenta. A prorrogação do horário de votação foi pedida pelas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país. Nesse período foram registrados apenas 33.866 votos para presidente, 0,026% do total, enquanto a diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões”.
O comunicado sublinhou ainda que o resultado geral consolidou de forma incontestável os nomes escolhidos para o comando de governos estaduais, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal, cujos mandatos não sofreram contestações válidas.
Ao encerrarem o posicionamento, os partidos resgataram episódios anteriores de rupturas institucionais: “Não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas. Em 2022, Jair Bolsonaro tramou uma tentativa de golpe de Estado, que incluía o plano de assassinar o presidente e o vice-presidente eleitos. A democracia resistiu, e ele e os militares envolvidos foram condenados e estão presos. O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”.