Uma moradora de Joinville enfrentou momentos de terror ao ser mantida em cárcere privado por cerca de 12 horas, período em que sofreu agressões físicas e ameaças de morte cometidas pelo próprio companheiro.
Dinâmica da violência doméstica
O crime ocorreu entre a noite de 8 de julho e a manhã do dia seguinte na residência do casal, situada no bairro Vila Cubatão, na zona leste do município catarinense. De acordo com o inquérito policial, o conflito teve início após uma discussão gerada pela expulsão do enteado da vítima, um jovem de 22 anos, do imóvel.
Durante a madrugada, a mulher foi alvo de socos, tapas e apertões, além de ter sido impedida de sair da casa, utilizar o aparelho celular ou pedir socorro.
Tortura e fuga da vítima
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) revelou que, após as agressões, o agressor forçou a companheira a tomar banho sob água gelada. Em seguida, com a vítima ainda nua, ele direcionou o vento de um ventilador contra o corpo dela. O suspeito também proferiu ameaças de morte contra a mulher e familiares dela, chegando a encostar uma espingarda na cabeça da vítima.
A situação de cativeiro terminou na manhã seguinte, quando a mulher fingiu que precisava ir trabalhar para conseguir deixar a residência. Assim que saiu, buscou auxílio e formalizou a denúncia na delegacia.
Apreensão de armas e prisão preventiva
Nas primeiras diligências realizadas em julho, os policiais apreenderam duas espingardas — calibres 20 e 36 —, além de munições intactas armazenadas de maneira irregular na casa.
Com o avanço das apurações, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ofereceu denúncia contra o investigado. O Poder Judiciário decretou a prisão preventiva do suspeito, autorizando também mandados de busca e apreensão e a quebra de sigilo telemático. O mandado foi cumprido pela DEAM, e o homem foi encaminhado ao sistema prisional, ficando à disposição da Justiça para responder pelos crimes em concurso material.
Canais de denúncia
Casos de violência contra a mulher podem ser reportados por meio da Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180, ou pelo Disque-Denúncia 181 em Santa Catarina, que opera 24 horas com garantia de sigilo. Em situações de urgência e emergência, o acionamento deve ser feito imediatamente à Polícia Militar pelo número 190.