O público que acompanhou o retorno do grupo de K-pop BTS a São Paulo nesta quarta-feira (28) encontrou uma recompensa exclusiva caso tivesse cumprido o dever cívico de votar nos dois turnos das eleições. A ação foi promovida por uma rede de organizações não governamentais voltadas para a conscientização política dos jovens.
Campanha de incentivo ao voto jovem
A iniciativa partiu da organização Army Help The Planet, criada por admiradores da banda sul-coreana, em parceria com o Instituto Lamparina e o Instituto Plena Cidadania. O objetivo central foi combater a abstenção e aproximar as novas gerações dos processos democráticos por meio de conexões com a cultura pop.
“Ver os jovens afastados nos fez perceber que a gente precisava trazer isso para o nosso público, que é um público jovem. Mostrar que política é, sim, importante, que política está no nosso dia 24 horas, e que a gente precisa muito participar da política”, explica A codiretora Army Help The Planet, Mariana Faciroli.
Ações nas ruas e na internet
As estratégias de convencimento ocorreram tanto no ambiente virtual quanto nas ruas, com destaque para intervenções na Avenida Paulista que distribuíram material informativo e alcançaram cerca de 12 mil acessos online. O movimento também atraiu admiradores de outros grandes nomes da música internacional, como Beyoncé e Taylor Swift.
Como forma de premiar o comparecimento às urnas no primeiro e no segundo turno, a organização distribuiu pacotes surpresa conhecidos como mystery packs, recheados com itens colecionáveis criados por adeptos da banda, incluindo photocards e ingressos comemorativos ilustrativos.
Histórico de engajamento político
O ativismo cívico desse grupo não é recente. Em 2021, a campanha “Tiro o Título, Army” já disseminava conteúdos explicativos sobre temas como o Estado Democrático de Direito, as atribuições dos cargos públicos e a relevância da participação eleitoral.
“Quando elas olharam para esse mystery pack que seria distribuído hoje, elas falaram que amaram essa surpresa, porque a gente entrou dentro da cultura do K-pop”.
“A política pode ser uma coisa legal. A política está na nossa vida. A política deve e precisa ser estimulada. Então, a gente, enquanto organização sem fins lucrativos, que atua com voto jovem, com participação cidadã, com educação política, a gente acredita na cultura, a gente acredita na música, a gente acredita nessas articulações poderosas para garantir e fortalecer a nossa democracia”, lembra Larissa Dionísio, do Instituto Lamparina.
O impacto dessa articulação cultural na política institucional foi reconhecido publicamente pelo presidente Lula durante um ato em defesa da democracia realizado na Avenida Paulista, ocasião em que ele agradeceu o ativismo dos fãs da música pop.