Seja Bem Vindo - 29/10/2026 03:10

Aécio Neves critica saída de Flávio do Brasil após derrota

O presidente nacional do PSDB e deputado federal, Aécio Neves, manifestou forte oposição à decisão tomada por Flávio Bolsonaro (PL) de abandonar o país logo após o revés sofrido na disputa presidencial.

Posicionamento tucano sobre a democracia

Em declaração pública nesta quarta-feira (28/10), o dirigente tucano argumentou que o adversário político deveria ter permanecido em solo brasileiro para fiscalizar o atual mandato. “É incompreensível o comportamento do candidato derrotado à Presidência da República. O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos. E ele deve se dar em território nacional, fiscalizando os atos do governo e cobrando os compromissos por ele assumidos com a população”, disse o tucano.

O parlamentar também comentou sobre os desafios econômicos que serão herdados pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontando que o governo anterior deixou marcas complexas. A disputa nas urnas foi decidida com 51,79% dos votos válidos para Lula contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, cenário que levou o PSDB a adotar neutralidade no segundo turno com liberação dos diretórios estaduais.

Regras constitucionais e respeito às urnas

Reforçando o compromisso de seu partido com o sistema democrático, o deputado pontuou que a atuação fiscalizatória seguirá firme, mas estritamente dentro dos limites legais estabelecidos pelas instituições brasileiras. “Mas tudo isso tem que ser feito dentro das regras da democracia, com respeito às instituições e ao processo eleitoral. E é o que nós, do PSDB, faremos: uma oposição qualificada, firme e dura como sempre fizemos, mas tendo como princípios fundamentais o respeito à democracia e à soberania popular”, declarou.

Investigação da Polícia Federal e viagem ao exterior

Enquanto isso, a Polícia Federal abriu apuração para esclarecer os detalhes da saída do senador, visto que não há registros oficiais de sua passagem pelos controles migratórios do país. Na última terça-feira (27/10), Flávio cruzou a fronteira em direção à Argentina acompanhado da esposa e das duas filhas, utilizando um jato particular para seguir rumo aos Estados Unidos com uma escala intermediária no Equador.

A movimentação ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal, determinar o bloqueio dos passaportes pessoal e diplomático do político, além de vetar sua saída do território nacional. A ordem judicial atendeu a um pedido da PF no âmbito de inquérito que investiga crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, acusações que são veementemente rechaçadas pela defesa do investigado.

Carta divulgada no exterior

Já em solo norte-americano, o senador publicou uma carta aberta na qual colocou em dúvida a lisura das eleições e mencionou ter sofrido perseguição institucional, embora não tenha apresentado provas materiais. Inicialmente, o texto trazia o trecho em que ele se autoproclamava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, frase que foi modificada cerca de trinta minutos depois para o título de “líder do Brasil”.

No mesmo documento, o parlamentar expressou gratidão aos líderes internacionais Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Javier Milei, presidente da Argentina, pelo respaldo recebido, reforçando o plano de comandar os opositores brasileiros diretamente do exterior.

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