A deputada federal Célia Xakriabá (Psol) declarou nesta terça-feira (27) que solicitou apuração oficial sobre um suposto envenenamento das reservas hídricas no território dos Guarani Kaiowá, localizado no Mato Grosso do Sul, no período posterior às eleições presidenciais. Conforme a parlamentar, lideranças da região comunicaram terem sido alvos dessa grave conduta criminosa.
Áudios e ameaças revelados
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que também levou o caso a público, um dos indivíduos envolvidos teria afirmado em uma mensagem de áudio enviada pelo WhatsApp que é preciso “matar essas praga [sic] pela água”. A gravidade da ameaça mobilizou diferentes frentes de atuação em defesa dos direitos originários.
Vulnerabilidade e órgãos acionados
A parlamentar ressaltou que os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul já enfrentam severas dificuldades no acesso à água potável, dependendo frequentemente do abastecimento por caminhões-pipa. A contaminação desse elemento vital representa uma ameaça direta à sobrevivência de toda a comunidade.
Diante da gravidade, o caso foi formalmente remetido ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à Procuradoria-Geral da República através do Ministério Público Federal (MPF), e também ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), visto que as ameaças estão associadas ao desfecho do pleito eleitoral.
Resposta do governo federal
Em comunicado oficial conjunto, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) endossaram o pedido de investigação rigorosa. As pastas informaram ainda que estão monitorando e atuando frente a outras ocorrências de violência direcionadas a comunidades quilombolas e povos de terreiro após a conclusão do segundo turno.