O período pós-eleitoral no Paraná foi marcado por uma série de graves episódios de violência política, intimidação e vandalismo voltados contra eleitores e simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os incidentes ocorreram logo após a divulgação do resultado do segundo turno do pleito presidencial.
Tragédia em Mangueirinha O caso mais grave aconteceu na noite de domingo, quando um motorista sob efeito de álcool ultrapassou uma barreira policial durante uma festa de comemoração pela vitória eleitoral. O atropelamento resultou na morte de Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, que sofreu traumatismo craniano severo e não resistiu aos ferimentos na segunda-feira. Outras três pessoas também foram atingidas no episódio, enquanto a Polícia Militar trata o caso como homicídio.
Abusos policiais e detenções Em paralelo, cidades como Apucarana e Guarapuava registraram atuações truculentas da polícia contra manifestantes pacíficos. O servidor público Fernando Capivara acabou baleado com munição de borracha na perna enquanto filmava a repressão, ao passo que a pesquisadora Renata Kempf, da Unicentro, foi detida pela corporação.
O diretório municipal do partido manifestou indignação com a situação por meio de um comunicado oficial. “Não aceitaremos que a força do Estado seja utilizada para intimidar, agredir ou silenciar cidadãos que exercem seus direitos democráticos. A atuação policial deve ser pautada pela legalidade, pela proporcionalidade e pelo respeito à integridade física e à dignidade de todas as pessoas”, declara a nota do PT de Guarapuava.
Vandalismo em ambiente acadêmico Na manhã de terça-feira, a sede do Grêmio Estudantil de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná amanheceu depredada com pichações de cunho político e móveis destruídos. O espaço já havia sofrido uma invasão semelhante no mês de junho.
Os estudantes repudiaram a ação por meio de manifestação pública. “Diante desse cenário, entendemos que não se trata de um ato de mera insatisfação política, mas de um ataque direto à universidade, à pluralidade de ideias e à democracia”, afirmou o grêmio em nota divulgada no Instagram.
Assédio eleitoral no trabalho Outro ponto crítico envolveu parlamentares estaduais recém-eleitos, como Jessicão e Guilherme Kilter, que utilizaram as redes sociais para incentivar patrões a dispensarem empregados alinhados à esquerda. As postagens recomendaram medidas drásticas no ambiente profissional.
Diante da repercussão negativa, os políticos sugeriram “demitir o mal” e cortar gastos “começando pelos petistas”. A conduta motivou uma atuação firme do Ministério Público do Trabalho, que exigiu a remoção dos conteúdos e retratações públicas.
Cobrança por justiça Diante do cenário de hostilidade, o presidente estadual da legenda e deputado Arilson Chiorato exigiu rigor nas apurações sobre o assassinato em Mangueirinha e os abusos de autoridade. O diretório paranaense disponibilizou uma ferramenta digital exclusiva para o recebimento de denúncias de intimidação e agressões motivadas por divergências partidárias.