O sistema de ensino municipal de Curitiba registrou o afastamento de 3.803 professores devido a questões de saúde mental no período de dois anos. Os dados oficiais foram divulgados pela Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal (SMGP) após solicitação formal apresentada pelo vereador Matteus Henrique (PT).
Proporção dos afastamentos por cargo
Do total de profissionais que precisaram se ausentar, 1.311 atuavam na educação infantil e 2.492 integravam o quadro do magistério. Considerando o total de 16.585 servidores ativos registrados em julho entre contratados temporários e concursados, o índice de afastamentos acumulados no biênio alcança 22,9% dessa base.
Na educação infantil, o impacto é ainda mais expressivo, atingindo 26,3% dos profissionais da área. Entre os trabalhadores do magistério, a proporção chega a 21,5%. A administração municipal esclareceu que os números refletem o total de ocorrências acumuladas no período, embora o documento oficial não especifique a duração exata das licenças ou se houve reincidência por parte dos mesmos servidores.
Gestão de riscos psicossociais e cobranças
Questionada sobre a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (PGR) para abranger fatores como estresse e burnout, conforme determinam as normas federais de trabalho, a pasta municipal respondeu: “Atualmente não.”
A justificativa é de que o documento específico ainda está em fase de levantamento de dados, contando atualmente com uma pesquisa voluntária destinada aos servidores. Uma nova reunião para avaliar as medidas de controle está agendada para janeiro de 2027. No que tange às ações preventivas, a Prefeitura aponta a realização de exames periódicos, monitoramento psicológico e canais de atendimento remoto para suporte emocional.
Impacto nas aposentadorias e violência escolar
Outro levantamento recente revelou que os transtornos mentais representam a principal causa de aposentadoria por invalidez entre o funcionalismo municipal, liderando a estatística com 88 casos, o equivalente a 41% do total registrado em um grupo de 214 inativações por doenças.
Sobre os episódios de violência nas unidades escolares, a Secretaria Municipal da Educação informou que os dados podem ser solicitados diretamente ao setor de saúde ocupacional. A pasta também pontuou que “não há protocolo específico ou orientação normativa interna” para formalizar boletins de ocorrência ou registros administrativos para tais ocorrências.