A segunda temporada do podcast Segurança 24h estreou com foco nos bastidores da investigação da queda de uma aeronave na Serra Catarinense, tragédia que resultou na morte de cinco pessoas, incluindo o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner. A ocorrência exigiu uma operação complexa e a mobilização de diferentes forças de segurança para o atendimento no local.
Atuação integrada das forças de segurança
Participam do episódio de estreia Cassiano Bremm, perito e superintendente regional da Polícia Científica em Florianópolis, e Fernando Lonzetti, chefe da divisão de Multimídia Forense da instituição. Os especialistas detalham as dificuldades superadas pelas equipes, desde o acesso inicial à região até a minuciosa coleta e análise dos vestígios encontrados.
A operação contou com o esforço conjunto da Polícia Científica de Santa Catarina (PCISC), da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) e da Força Aérea Brasileira (FAB). O apoio logístico foi essencial para garantir o transporte dos profissionais em meio às barreiras impostas pelo terreno acidentado da região.
Tecnologia de ponta na reconstrução da cena
O uso de recursos tecnológicos avançados foi determinante para o registro da cena e para a compreensão da dinâmica da queda. Por meio de um scanner tridimensional, os peritos realizaram a digitalização completa da área, permitindo medições exatas e a continuidade das análises mesmo após o encerramento do trabalho de campo.
Fernando, um dos peritos presentes no local do acidente, explicou como o mapeamento ajudou nos trabalhos: “Com essa ferramenta, é possível tirar as medidas a posteriori. Fazer simulações, testar hipóteses, fazer a fixação dos vestígios de maneira mais tranquila e calma, em escritório. Os vestígios ficam acessíveis para as equipes periciais pelo tempo que for necessário.”
Análise de eletrônicos e preservação de vestígios
Outra etapa complexa envolve o exame dos dispositivos eletrônicos resgatados entre os destroços. A obtenção de informações exige procedimentos sofisticados de engenharia eletrônica para restaurar os aparelhos.
Cassiano detalha um pouco do processo: “É um trabalho difícil de conseguir fazer ele [o equipamento eletrônico encontrado] funcionar, para ainda depois ter todo o serviço de perícia regular, de fazer extração e conseguir analisar esses dados.” As etapas podem exigir a desmontagem física dos aparelhos para a posterior recuperação de informações em unidades danificadas.
Durante o programa, os especialistas também esclareceram a diferença entre as atuações da Polícia Científica e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Enquanto o CENIPA atua com foco na prevenção de novos acidentes e na melhoria da segurança de voo, a Polícia Científica coleta elementos técnicos destinados a subsidiar investigações criminais e apurar eventuais responsabilidades.
Rigor científico e preservação da cena
Os profissionais enfatizam a importância do rigor técnico durante a elaboração dos laudos oficiais, distanciando-se de especulações públicas. “Dentro da perícia, a gente não tem espaço para um achismo. A gente tem que ter certeza para poder colocar no laudo”, ressalta Cassiano, destacando que a investigação precisa seguir critérios estritamente científicos, independentemente da grande repercussão do caso.
Além disso, embora a colaboração da comunidade tenha auxiliado na localização inicial da aeronave, as autoridades reforçam o alerta sobre a necessidade de preservar os locais de sinistros. A aproximação de curiosos ou o manuseio imprudente de objetos podem destruir provas cruciais para o esclarecimento dos fatos.
Sob a apresentação de Osvaldo Sagaz e produção de Dhandhara Costa, o projeto é uma realização da Secretaria de Estado da Comunicação de Santa Catarina, com novos episódios disponíveis nas plataformas de streaming e no YouTube.