O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um desempenho superior ao do senador Flávio Bolsonaro (PL) no último confronto televisivo do segundo turno, transmitido pela TV Globo na última sexta-feira (23). No entanto, especialistas apontam que o embate deve impactar mais a mobilização do eleitorado do que provocar uma virada drástica de votos.
Desempenho dos candidatos no confronto
Durante a avaliação do debate, analistas destacaram que Lula levou vantagem ao defender os resultados de suas gestões e rebater as investidas do oponente. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro adotou uma postura mais comedida, mas falhou em detalhar a execução de suas propostas de governo.
A cientista política Priscila Lapa pontuou que o petista discursou com a bagagem de quem já comanda o país. “É muito fácil você ser oposição até que você seja governo e entenda que a política do cobertor curto sempre vai existir, principalmente num país como o nosso, que gera muita riqueza, mas que também tem legados históricos de desigualdade e de pobreza”, declarou a especialista.
Checagem e estratégias da extrema direita
Por sua vez, o jornalista Igor Carvalho ressaltou que o parlamentar do PL precisou se desculpar em duas ocasiões distintas durante o programa. Dados de checagem apontaram disparidade na precisão das declarações de cada candidato. “É muito difícil você debater com o candidato que, do outro lado, está disposto a mentir sobre absolutamente qualquer tema”, pontuou Carvalho.
A diretora-executiva Nina Fideles identificou três táticas específicas no comportamento do senador, alinhadas a padrões internacionais de treinamento político. Entre elas estão a inversão de narrativas, o uso de premissas sem lógica explicativa e a omissão de planos práticos. “O Lula acertou em dizer que ele decorou muito bem, mas ele não explica. Que é o caso do tesouraço”, exemplificou a jornalista.
Cenário eleitoral e o peso das redes sociais
Apesar das vantagens pontuais observadas no embate televisivo, a disputa permanece acirrada e o resultado final dependerá da força dos militantes nas plataformas digitais e da participação popular nas urnas.
A mobilização digital da esquerda, como o canal Exército do Lula, tem desempenhado um papel inédito na campanha. “Isso não aconteceu nem em 2018, nem em 2022, está acontecendo em 2026, e não tem como pensar que isso não vai interferir no resultado da eleição”, concluiu Priscila Lapa sobre o impacto das redes na decisão dos eleitores.