O endividamento das famílias brasileiras, as estratégias para a educação em tempo integral e o enfrentamento à criminalidade dominaram os debates entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro durante o terceiro bloco do confronto presidencial desta sexta-feira (23). Os concorrentes ao Palácio do Planalto expuseram visões distintas, confrontaram a gestão um do outro e debateram caminhos para solucionar os gargalos sociais do país.
Debate econômico e impasses sobre o endividamento No campo financeiro, o oposicionista direcionou críticas à gestão atual devido ao encarecimento dos alimentos e ao volume de cidadãos com pendências financeiras, apontando que 80 milhões de brasileiros estariam com contas atrasadas. O senador também questionou a eficácia do programa Desenrola e o impacto dos juros no financiamento de moradias pela Caixa Econômica Federal.
Como alternativa para o setor, o candidato do PL sugeriu reformular a instituição financeira para criar um “Banco da Prosperidade”, voltado a ofertar crédito a taxas reduzidas e estimular negócios em periferias. Em resposta, o atual presidente defendeu os resultados de seu programa de renegociação, apontando o alcance de milhões de beneficiados nas duas primeiras fases da iniciativa.
O chefe do Executivo federal ainda detalhou planos para um novo leilão voltado à aquisição de débitos bancários, com potencial para injetar recursos expressivos e conceder abatimentos a milhões de inadimplentes. Paralelamente, o petista criticou o impacto negativo das apostas on-line no orçamento doméstico.
Diretrizes para a educação e redes de ensino As divergências também marcaram a pauta educacional, com acusações mútuas sobre cortes de verbas e a gestão das escolas em tempo integral. Enquanto a oposição defendeu a vinculação de habilidades técnicas — incluindo inteligência artificial e programação — ao currículo, o governo atual projetou metas ambiciosas de cobertura para o ensino médio.
O presidente destacou a expansão do programa Pé-de-Meia para contemplar universitários e lembrou de milhares de obras escolares paralisadas herdadas de administrações anteriores. Por sua vez, a campanha adversária resgatou ações da gestão passada, como reajustes salariais para docentes e descontos em financiamentos estudantis, além de sugerir um auxílio financeiro para mães sem acesso a creches públicas.
Políticas de segurança pública e confronto político O tema da segurança pública gerou forte embate, abordando desde o controle de fronteiras até propostas de endurecimento penal. A oposição propôs classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas, aplicar penas longas para líderes do crime organizado e reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos específicos de violência sexual, além de sugerir a castração química para condenados.
O debate escalou quando o candidato do PL mencionou a morte da menina Ana Clara e questionou o histórico político do adversário. O presidente rebateu as críticas mencionando investigações e a atuação parlamentaria do senador no Rio de Janeiro, além de apresentar seus próprios planos para a área.
Para combater a criminalidade, o governo federal prometeu fortalecer as forças policiais federais, intensificar a repressão às milícias e instituir um ministério específico para a segurança pública, dependendo de articulações no Congresso Nacional.