Diante de um cenário eleitoral altamente polarizado e com margem estreita entre os concorrentes, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçou como prioridade encurtar a distância para Flávio Bolsonaro (PL) nos três estados da Região Sul. Além de buscar uma reação onde o adversário abriu larga vantagem, a campanha governista trabalha para alavancar a dianteira em Minas Gerais e conter a desvantagem no colégio eleitoral paulista.
Desafio eleitoral nos estados do Sul
O desempenho das urnas na primeira etapa consolidou a Região Sul como o principal obstáculo geográfico da chapa petista. Somados os votos de Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Flávio Bolsonaro superou a barreira dos 10 milhões de sufrágios, enquanto Lula contabilizou pouco mais de 5 milhões.
Para equilibrar essa balança, a tática não se apoia apenas em persuadir quem optou por outras candidaturas, mas sobretudo em atrair os brasileiros que se ausentaram das seções eleitorais. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (19), Lula avaliou o perfil do eleitorado atual:
“É importante a gente ressaltar que a política brasileira está diferente de anos atrás. Hoje está muito apertada a diferença, as pessoas indecisas são poucas. Agora temos que convencer quem não quis votar. Estamos trabalhando para recuperar os votos no Sul. Nós podemos ganhar as eleições em Minas Gerais e podemos diminuir a diferença em São Paulo”, afirmou.
Avaliação sobre o primeiro turno e o bolsonarismo
Ao abordar os fatores que levaram a decisão para a rodada final, o postulante do PT rechaçou qualquer avaliação de que tenha minimizado o poder de mobilização da oposição. Segundo o mandatário, o diagnóstico interno previa a chance de uma definição precoce, o que acabou não se concretizando.
“Ninguém subestima a capacidade da direita nesse país e no mundo inteiro. E nós sabemos o que representa o bolsonarismo nesse país. Eu acho que subestimamos a nossa capacidade de ganhar as eleições no primeiro turno. Possivelmente a gente não fez todas as lições de casa, mas agora temos que trabalhar para ganhar no segundo turno”, declarou.
Mobilização popular na reta decisiva
Apesar da disputa acirrada, o candidato sustentou otimismo quanto ao desfecho do pleito marcado para 25 de outubro. Como principal termômetro de recuperação, destacou o engajamento popular nas ruas ao longo dos últimos dias de campanha.
“Estou convencido de que vamos ganhar as eleições, há um movimento na rua que há muitos anos não se via. Fazia muitos anos que não víamos a quantidade de manifestações, muitas espontâneas. Então é uma coisa extremamente importante e isso me dá certeza que vou ganhar as eleições no dia 25 de outubro”, afirmou.
Com as estratégias regionais recalculadas, a campanha entra em sua fase mais aguda concentrando agendas nos maiores colégios eleitorais para converter abstenções em votos válidos.