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Voto facultativo: idosos e jovens marcam presença nas urnas

O compromisso cívico falou mais alto para milhares de brasileiros que não têm obrigação legal de votar, mas fizeram questão de comparecer aos colégios eleitorais. Superando limitações físicas, tratamentos médicos e longas distâncias, eleitores idosos e jovens adolescentes transformaram o voto facultativo em um ato de defesa da democracia e de reivindicação por melhorias em áreas essenciais como saúde e educação.

Exemplos de perseverança na terceira idade

Entre os que desafiaram as dificuldades para registrar sua escolha está Valdeci Camargo Bezerra, de 81 anos. Enquadrado no grupo dos idosos longevos — parcela que representa apenas 2% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) —, ele enfrenta restrições de mobilidade causadas por um tratamento contra o câncer. Apoiado pelo filho, Valdeci fez questão de participar do pleito para, segundo ele, defender o futuro do país.

Situação semelhante viveu Elenita da Silva, de 71 anos. Recuperando-se de um procedimento cirúrgico no joelho direito, ela utilizou uma bengala para alcançar a cabine de votação em Águas Claras, na região de maior colégio eleitoral do Distrito Federal. Apesar de ter cogitado se ausentar, decidiu comparecer para cobrar investimentos governamentais no sistema público de saúde e no ensino.

Já a professora aposentada Lucilda de Oliveira, de 76 anos, declarou que sua ida às urnas é motivada pelas próximas gerações. Ao votar pelo bem-estar dos filhos e netos, ela ressaltou que a principal exigência em relação aos futuros governantes é a conduta ética e o caráter na administração pública.

Estatísticas e o perfil do eleitorado sênior

O contingente de cidadãos com mais de 70 anos no Brasil soma aproximadamente 16 milhões de eleitores, o que equivale a 10,6% do cadastro nacional. Assegurado pela Constituição Federal de 1988, o direito de voto opcional para essa faixa etária costuma registrar índices expressivos de abstenção: na disputa de 2022, cerca de 60% desse público não compareceu para votar.

A voz da juventude e a oscilação no alistamento

Na outra ponta da tabela etária, eleitores de 16 e 17 anos também exerceram o direito cívico motivados por causas sociais. Em Brasília, a estudante Cecília Borgato, de 17 anos, participou pela primeira vez do processo eleitoral priorizando candidaturas comprometidas com pautas como gratuidade no transporte público e ações afirmativas de cotas.

A defesa do processo democrático também mobilizou jovens como Maria Clara, que emitiu o documento eleitoral ainda aos 16 anos para participar do pleito de 2022. Para ela, a abstenção significa abrir mão da capacidade de influenciar os rumos do país em direção a uma sociedade mais igualitária.

Apesar da motivação dos presentes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou uma retração na adesão de novos votantes: o número de jovens de 16 e 17 anos aptos a votar em 2026 recuou para 1,6 milhão de inscritos, frente aos 2,1 milhões observados em 2022. Essa redução de 22,8% superou com folga o declínio demográfico dessa faixa etária no território nacional, que encolheu apenas 5,6% no mesmo intervalo.

O comparecimento voluntário de diferentes gerações reforça como a participação popular permanece como o pilar mais sólido para a consolidação das demandas sociais e a renovação dos mandatos políticos no Brasil.

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