No dia 25 de agosto, uma oficial de justiça se dirigiu ao Edifício Taborda Bueno, em Curitiba, para verificar a ocupação do apartamento 92. A visita ocorreu após um mandado que permitia acesso ao imóvel, caso necessário. O objetivo era confirmar a presença de Marcos Alberto Furuyama, que, infelizmente, foi encontrado morto em sua residência, junto com sua esposa e filho.
Uma busca trágica
A oficial de justiça chegou ao local às 13h59 e foi atendida por um funcionário da portaria. Após várias tentativas de contato com os moradores, ela enviou uma mensagem via WhatsApp para Furuyama. A comunicação, no entanto, permaneceu sem resposta. No dia seguinte, ao retornar ao cartório, a oficial informou que havia tomado conhecimento da morte da família através da imprensa.
O que aconteceu dentro do apartamento?
A Divisão de Homicídios investiga a possibilidade de um homicídio seguido de suicídio, embora ainda não tenha confirmado a dinâmica dos eventos. Os corpos de Marcos, Claudia Hitomi Shimada Furuyama e Rafael foram encontrados com ferimentos de arma branca. Câmeras de segurança não registraram a entrada de mais ninguém no apartamento, e a última movimentação da família ocorreu no dia 23 de agosto.
A origem da dívida
A origem da crise financeira da família remonta a uma casa construída pela Construtora Giacomelli. O casal contratou a empresa para construir uma residência em Pinhais, mas a obra atrasou e apresentou problemas de acabamento. A construtora, por sua vez, processou o casal por dívidas, gerando uma série de disputas judiciais que culminaram na penhora do apartamento 92.
Desdobramentos judiciais
Após anos de litígios, a Justiça decidiu que os sócios da construtora deveriam responder com seus bens pessoais pela dívida, devido à falência da empresa. Essa decisão foi crucial e resultou na penhora do apartamento da família Furuyama. O processo se arrastou, mas quando a sentença transitou em julgado, a casa da família foi confiscada.
O leilão do apartamento
O apartamento foi a leilão em duas praças. Na primeira, não houve interessados, mas na segunda, o imóvel foi arrematado por R$ 521 mil, um valor que ficou abaixo da avaliação de R$ 650 mil. O novo proprietário, um advogado de Curitiba, pagou à vista e recebeu o imóvel livre de ônus.
Prazo para desocupação
Após o leilão, um mandado de intimação foi expedido para que Furuyama desocupasse o apartamento em um prazo de quinze dias. Um oficial de justiça confirmou que ele havia recebido a notificação, mas a família não conseguiu deixar o local a tempo.
Desfecho trágico
A tragédia que se desenrolou no apartamento 92 reflete a difícil situação enfrentada pela família, que vivia sob pressão financeira e emocional. A ausência de resposta de Furuyama às notificações judiciais e sua falta de representação legal durante o processo contribuíram para o desfecho fatídico.
O caso do apartamento 92 é um lembrete sombrio sobre as consequências que dívidas e a pressão financeira podem ter sobre famílias. A situação ressalta a importância de apoio psicológico e jurídico para aqueles em dificuldades, além de uma reflexão mais profunda sobre o sistema judicial e suas implicações na vida dos cidadãos.