O renomado escritor Ruy Castro conquistou o principal troféu do Prêmio Jabuti 2026 pela segunda vez consecutiva. A obra Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, lançada pela Companhia das Letras, foi coroada como o Livro do Ano na 68ª edição da premiação, realizada na Sala São Paulo. Ausente por motivos de saúde, o autor também levou a melhor na categoria Biografia e Reportagem.
O panorama histórico do Rio de Janeiro
Na obra premiada, o jornalista e escritor reconstrói o período entre 1935 e 1945 na capital fluminense, detalhando os reflexos do conflito europeu no cotidiano local. A pesquisa histórica densa já havia rendido a Ruy Castro o mesmo reconhecimento no ano anterior com o volume O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim.
Nascido em Minas Gerais em 1948, o autor possui uma trajetória consolidada que inclui biografias de grandes ícones da cultura brasileira, como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, além de estudos aprofundados sobre a Bossa Nova.
Destaques em Romance Literário
Outro grande destaque da noite foi a categoria Romance Literário, que teve a escritora Eliana Alves Cruz como vencedora com o livro Meridiana.
“É um momento de muita alegria e realização”, definiu a escritora.
“Muito emocionante [receber] o prêmio de Romance Literário, é o prêmio mais tradicional. Muito simbólico, muito significativo de uma trajetória que eu acho que é de muita gente. São muitas pessoas, todos os meus ancestrais, minha família, meus amigos, nosso país. As escritoras todas que eu admiro e que estão aí produzindo”, disse Eliana à Agência Brasil.
O enredo explora a ascensão social e o sentimento de pertencimento sob a ótica de uma família negra, abordando as complexidades de transição para a classe média.
“É toda uma forma de pensar sobre esse momento do Brasil, em que a gente tem uma classe nova, uma classe média que está tentando se entender, se achar e principalmente buscando o seu lugar de pertencimento. Qual é a minha casa? O questionamento é: o que podemos chamar de casa?”, analisa a escritora
“Muitas famílias, a minha família, a família de pessoas que eu conheço fazem esse movimento. Saem de uma situação mais precária e vão para uma classe média, melhoram de vida, entre aspas, economicamente. Mas estão ainda atravessadas por muitas questões e vão para esse novo lugar e ficam num limbo, numa linha divisória. Nem são de onde vieram, nem são necessariamente do lugar para onde vão”, explicou a escritora.
Novidades e homenagens da 68ª edição
Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a edição deste ano inaugurou a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital. O criador de conteúdo Pedro Pacífico, à frente do canal Bookster, levou o troféu após vencer entre 402 indicações válidas. No total, o evento recebeu 4.675 inscrições divididas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.
O ponto alto da noite em termos de homenagem foi a consagração de Lygia Bojunga como Personalidade Literária. A autora, que celebra os 50 anos de publicação da obra A Bolsa Amarela, enviou uma carta escrita à mão para agradecer a honraria.
“Que belo incentivo este!”, escreveu Lygia.
A lista completa com todos os vencedores e finalistas das 23 categorias pode ser consultada diretamente no portal oficial do Prêmio Jabuti.