Com o voto favorável do Brasil, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma nova resolução que exige a suspensão das sanções econômicas unilaterais impostas pelos Estados Unidos a Cuba há quase 27 anos. O placar final somou 130 votos em defesa da ilha caribenha, 17 posicionamentos contrários e 25 abstenções.
Menor margem de apoio registrada em 30 anos
Apesar de vitorioso para a diplomacia cubana, o resultado representou a menor taxa de concordância com o texto nas últimas três décadas. O recuo no número de adesões decorre de uma forte investida diplomática de Washington, que agiu nos bastidores para pressionar nações parceiras a rejeitarem a proposta multilateral.
Esta foi a 33ª ocasião em que o plenário da ONU deliberou sobre o assunto. No primeiro escrutínio, realizado em 1992, apenas 59 delegações endossaram a condenação ao embargo. Já o ápice histórico de apoio ocorreu entre 2015 e 2017, fase em que 191 países se posicionaram pelo término das restrições comerciais, reflexo direto do período de aproximação bilateral conduzido pelo governo de Barack Obama.
A postura histórica da diplomacia brasileira
A posição adotada pelo Brasil mantém a linha tradicional da política externa do país, que historicamente sempre se manifestou contrária ao bloqueio comercial. As únicas divergências nessa trajetória aconteceram durante o mandato de Jair Bolsonaro, quando a representação brasileira votou contra a resolução em 2019 e optou pela abstenção nos anos de 2021 e 2022.
Agravamento das sanções e impacto humanitário
O cerco financeiro e comercial imposto pelos norte-americanos vigora desde 1960, tendo sido instaurado originalmente como represália aos desdobramentos da revolução cubana ocorrida no ano anterior.
Recentemente, a ampliação das medidas restritivas promovida pela gestão de Donald Trump intensificou a vulnerabilidade socioeconômica de Cuba. A população local convive com episódios crônicos de desabastecimento de energia elétrica, combustíveis, gás liquefeito de petróleo, insumos médicos e serviços básicos, além de um salto inflacionário de 25% em relação ao patamar anterior.