Seja Bem Vindo - 24/10/2026 20:03

  • Home
  • Destaques
  • Cigarrinha-do-milho: programa gera mais de R$ 321 milhões em SC

Cigarrinha-do-milho: programa gera mais de R$ 321 milhões em SC

O programa Monitora Milho SC gerou um impacto econômico positivo de R$ 321.735.868,74 para a agricultura catarinense durante a safra 2024/25. O valor expressivo é resultado direto da mitigação de prejuízos provocados pela cigarrinha-do-milho e pelos complexos de enfezamentos e viroses que historicamente ameaçam as plantações do grão no estado.

Rentabilidade e ganho líquido por hectare

Os números oficiais foram divulgados por meio do Balanço Social da Epagri, evidenciando a alta eficácia das estratégias de manejo agrícola recomendadas aos produtores rurais. De acordo com o supervisor de pesquisa da Epagri/Cepaf, Alberto Höfs, responsável por realizar os cálculos de efetividade do programa, a adoção do manejo nas lavouras se mostrou altamente rentável para os produtores. “Se considerarmos o preço médio de comercialização do milho em R$ 1,15 por quilo, a diferença de produtividade registrada na safra 2024/25 representou um ganho líquido de R$ 1.582,55 por hectare cultivado”, explica.

Considerada a principal praga da cultura, a cigarrinha tem potencial para desencadear quedas drásticas de rendimento. Conforme as análises técnicas, a ausência de controle preventivo resultaria em uma quebra de produtividade estimada em 17,5%. Em contrapartida, a aplicação correta das diretrizes de combate proporcionou um incremento produtivo de 21,2% por hectare no mesmo ciclo agrícola.

Transformação da ciência em benefício prático

Pela primeira vez desde a criação da iniciativa em 2021, o impacto econômico sobre a produção foi quantificado com precisão. A coordenadora do projeto e pesquisadora da Epagri/Cepaf, Maria Cristina Canale, avaliou o marco com entusiasmo. “Esse resultado reforça o papel da Epagri como uma instituição capaz de transformar conhecimento científico em soluções práticas para os desafios do campo. É uma comprovação de que investir em pesquisa, monitoramento e extensão rural gera benefícios concretos para a sociedade. Esse valor não representa apenas um impacto econômico expressivo, mas reflete, principalmente, os milhares de produtores que tiveram acesso à informações técnicas para tomar decisões mais seguras e reduzir as perdas causadas pelos enfezamentos do milho”, diz.

O suporte tecnológico quase em tempo real sobre a densidade populacional e a taxa de infectividade da praga garante maior previsibilidade aos agricultores. “O Monitora Milho SC garante maior estabilidade de renda e segurança financeira para as famílias rurais inseridas na produção do grão, impulsionando a fixação no campo e o desenvolvimento socioeconômico regional. Além disso, também fortalece o tecido social da cadeia produtiva por meio da consolidação de uma rede colaborativa que articula pesquisa, extensão e setor produtivo”, acrescenta Alberto Höfs.

No âmbito municipal, o extensionista rural Willian Heintze, atuante em Faxinal dos Guedes, ressalta que os extensionistas e os agentes da Cidasc representam a linha de frente do Estado no campo, destacando-se pela capilaridade, conhecimento regional e o forte vínculo de confiança estabelecido com os agricultores.

Metodologia de cálculo e impacto histórico

Para mensurar os reflexos financeiros, os especialistas consideraram uma perda média nacional de 17,5% por enfezamentos — patamar que oscilou entre 2020 e 2024 atingindo até 22,7%. Além disso, pesquisas na região Sul indicam que a cultura do milho sofre redução de 12,7% no rendimento a cada acréscimo na escala de severidade da doença. O modelo estatístico integrou despesas operacionais adicionais de manejo (avaliadas em R$ 300 por hectare), cotações do grão, área plantada em solo catarinense e a atuação institucional de suporte técnico.

O surgimento do programa ocorreu na safra 2021/22 diante de uma infestação inédita que surpreendeu o setor produtivo. Maria Cristina recorda que, naquele momento, produtores e técnicos não estavam familiarizados com esta praga e com seus efeitos sobre a produção. “Naquele ano agrícola, a produtividade caiu para cerca de 5.487 kg/ha, o que representou uma variação negativa de 29% com relação ao ano anterior”.

Para reverter o quadro, formou-se um comitê multissetorial integrando órgãos estaduais, universidades, entidades representativas e o setor privado. Ao longo de meia década de atuação contínua, a iniciativa consolidou um banco de dados robusto. “A rede de monitoramento foi ampliada, novas regiões passaram a ser acompanhadas e as análises laboratoriais foram aperfeiçoadas. Os informes também foram aprimorados, sempre com o propósito de apresentar os dados de forma simples e direta ao agricultor. Além disso, estão sendo incorporados estudos sobre a dinâmica populacional da cigarrinha, fatores climáticos, épocas de semeadura e outros aspectos epidemiológicos, ampliando a precisão e a utilidade das informações disponibilizadas”, declara Maria Cristina.

A série histórica acumula números expressivos: quase 10 mil armadilhas analisadas, 10 mil amostras processadas, mais de 33 mil testes por PCR e cerca de 200 boletins técnicos publicados. Com distribuição gratuita por meio do portal oficial da Epagri e do aplicativo EpagriMob, o monitoramento segue garantindo sustentabilidade e segurança técnica para a cadeia produtiva do milho em Santa Catarina.

VEJA MAIS

Trabalho na eleição: saiba como votar sem desconto no salário

Regras garantem tempo para deslocamento e fila; coação patronal ou impedimento do voto configuram crimes…

Segundo turno: veja como consultar seu local de votação

Confira o passo a passo para encontrar sua seção eleitoral e evitar imprevistos neste domingo.

Eleições 2026: regras para manifestação política na urna

Entenda o que é permitido e proibido no domingo de votação do segundo turno para…