O Cruzeiro dá início a um capítulo inédito em sua trajetória esportiva nesta sexta-feira (16). Pela primeira vez, o elenco feminino celeste entra em campo pela principal competição continental da modalidade, encarando as donas da casa da LDU, a partir das 21h (horário de Brasília). O confronto ocorre no Estádio Casa Blanca, localizado na altitude de Quito, no Equador, pelo Grupo C — chave que conta ainda com Bolívar, da Bolívia, e Olimpia, do Paraguai.
Desafio físico e série de desfalques no elenco celeste
Garantido na disputa após faturar o vice-campeonato nacional na última temporada, o clube mineiro precisa lidar com ausências pesadas logo no debute. O treinador Jonas Urias não conta com cinco peças frequentemente utilizadas, todas entregues ao departamento médico em recuperação de cirurgia no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho: as zagueiras Tainara e Paloma Maciel, a meio-campista Gaby Soares e as atacantes Ravenna e Millene.
Mudança no gol e retorno no setor ofensivo
A lista de problemas aumentou nos últimos dias com a lesão muscular na coxa direita da goleira Cláudia. Para suprir a carência de emergência, a diretoria buscou Taluane, do América-MG, regularizando a atleta a tempo perante a Conmebol. Apesar da novidade, a tendência é que Camila Rodrigues reassuma o posto de titular na meta cruzeirense.
Como alento para a comissão técnica, a atacante Letícia Ferreira volta a figurar entre as opções. Recuperada de procedimento cirúrgico no ombro direito que a afastou por 60 dias, a goleadora tenta manter o embalo do ano anterior, quando balançou as redes 27 vezes com a camisa estrelada.
Pioneirismo mineiro e retrospecto brasileiro na copa
Ao pisar no gramado equatoriano, a Raposa torna-se o 15º representante do Brasil ao longo de 18 edições da disputa sul-americana, além de ser a primeira instituição de Minas Gerais a alcançar tal patamar. O domínio histórico pertence ao estado de São Paulo, que emplacou oito participantes diferentes até o momento: Corinthians, Audax, São José, Santos, Ferroviária, Palmeiras, Centro Olímpico e São Paulo.
Outros seis estados federativos também já marcaram presença na história do certame: Amazonas (Iranduba), Paraná (Foz Cataratas), Pernambuco (Vitória das Tabocas), Rio de Janeiro (CEPE/Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Internacional) e Santa Catarina (Avaí/Kindermann). Entre as agremiações de fora de São Paulo, o Foz Cataratas (2012) e o Iranduba (2018) foram as que chegaram mais longe, alcançando o vice-campeonato continental.
O protagonismo nacional se traduz em títulos: os clubes brasileiros somam diversas taças na competição. O Corinthians lidera o ranking geral com seis conquistas (uma delas realizada em parceria com o Audax), seguido de perto por São José (três), Santos (dois), Ferroviária (dois) e Palmeiras (um).
Palmeiras larga na frente com triunfo sobre peruanas
Na noite de quinta-feira (15), as Palestrinas deram o pontapé inicial em busca do bicampeonato com o pé direito. Pelo Grupo B, o time alviverde superou o Universitario, do Peru, pelo placar de 1 a 0, em partida disputada no Estádio Banco Guayaquil.
A técnica Rosana Augusto optou por preservar nomes que defenderam a seleção brasileira em amistosos contra a Argentina, deixando a ala Raíssa Bahia e as atacantes Bia Zaneratto e Taina Maranhão entre as suplentes. A equipe também não contou com Kate Tapia, que ficou fora por “questões disciplinares”, nem com Ana Guzmán, com ruptura de LCA sofrida atuando pela Colômbia.
Pressão, gols e efeitos da altitude em Quito
O Palmeiras assegurou o resultado logo aos 15 minutos da primeira etapa: após lançamento de Andressinha, a volante Brena acionou Emily Assis; a defensora chutou, a arqueira Mia Shalit deu rebote e a própria Brena conferiu para o fundo das redes. As brasileiras ainda tiveram um tento anulado de Diany por impedimento e carimbaram a trave em duas oportunidades — em penalidade cobrada por Pati Maldaner e em finalização de longe de Duda Santos.
Os 2.850 metros de altitude em Quito castigaram a condição física das equipes ao longo dos noventa minutos. Pelo lado adversário, a defensora Milagros Rolón teve complicações respiratórias no primeiro tempo, precisou ser socorrida com balão de oxigênio à beira do campo e foi substituída precocemente.
Com o placar favorável, o Palmeiras assume a ponta isolada de sua chave com três pontos, já que Belgrano e Dragonas empataram em 1 a 1. A equipe paulista volta a atuar no domingo (18), às 17h, medindo forças contra o Belgrano no mesmo palco da estreia.