O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concluiu sua campanha eleitoral neste sábado (24) com uma grande mobilização de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). O chefe do Executivo chegou à via por volta das 16h, vindo pela Rua Pamplona, onde foi recebido por uma multidão antes de seguir caminhando pela região central da capital paulista.
Agenda pelo país e apoios políticos
Antes do evento em solo paulista, Lula cumpriu agenda no Rio de Janeiro (RJ), passando pelo bairro de Copacabana em uma manifestação que atraiu 1,1 milhão de pessoas, conforme dados oficiais divulgados pela Prefeitura carioca.
Diversas lideranças políticas marcaram presença no encerramento da campanha em São Paulo para reforçar o projeto político em disputa. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) discursou sobre o significado da data e a necessidade de dar continuidade ao legado presidencial.
“É o último dia de campanha do presidente Lula. Nossa, é um sentimento de alegria, de continuidade do seu legado, mas com a luta para que ele possa continuar, para que ele continue seguindo. É um legado que não pode ser interrompido, e ser ampliado”, afirmou.
Marina acrescentou que a possível extensão do mandato serviria para consolidar as entregas e preparar sucessores.
“Que esse último dia de campanha do presidente lula possa ser coroado com a continuidade do seu legado durante mais quatro anos para que ele possa preparar aquele que vai sucedê-lo, é um legado que não pode ser interrompido, tem que ser ampliado”, disse.
Mobilização e expectativas para as urnas
A força da militância foi apontada pelo presidente do PT no estado, Kiko Celeguim, como um fator determinante para engajar os eleitores no pleito do domingo (25).
“Olha, a energia que emana dessa quantidade de gente, principalmente no olhar das pessoas, elas sabem o que elas estão fazendo. Vai fazer muita diferença para poder dar energia para the presidente até amanhã às 5 horas da tarde. Essa energia vai inspirar muita gente no país inteiro, a reafirmar o compromisso com a democracia e com a justiça social, votar mais uma vez no Lula, agora no segundo turno. E trazer o eleitor insatisfeito para votar no presidente Lula”, afirmou.
O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) também enfatizou a capilaridade das manifestações pela capital paulista.
“Estamos fechando com chave de ouro. A Paulista está lotada, o centro de São Paulo, a periferia está tomada. Na zona leste, na zona sul, todo mundo fazendo caminhada, carreata… aqui na cidade de São Paulo, Lula ganhou no primeiro turno e no segundo turno ele vai ganhar estourado. Nós vamos aumentar muito a votação na cidade de São Paulo”, projetou.
Debate institucional e visão de futuro
Para a deputada federal eleita Natália Boulos (PSOL), o pleito vai além da escolha de nomes para o Executivo federal, englobando também a preservação das instituições democráticas.
“Não é uma eleição qualquer, não é uma eleição do Lula contra o Flávio Bolsonaro. É uma eleição que vai decidir se o nosso país vai estar na mão da milícia, do crime organizado, pelas próximas décadas.”
A parlamentar comentou ainda sobre a correlação de forças no Congresso Nacional e a relevância da pressão popular.
“O Congresso eleito é mais uma vez conservador. Vai ser um Parlamento que vai depender muito da mobilização da sociedade, das ruas e das redes. Se a gente tiver um presidente Lula eleito, nós vamos ter um presidente aliado do povo. E se a gente não tiver, nós vamos ter um presidente inimigo do povo com a maioria no congresso nacional, senado e na câmara, que vai também construir uma maioria no STF, e aí nosso papel no Congresso vai ser de muita resistência, mas principalmente de levar a voz das ruas”, finalizou.
A voz da sociedade e da juventude
O evento reuniu cidadãos de diferentes perfis, como a estudante Amanda Benedetto de Oliveira, que compareceu para defender pautas sociais, a educação pública e o SUS, além de relatar seu retorno do Paraná para votar. Já a professora aposentada Rose Presotto definiu a ocasião como um momento histórico para o país.
“É a última manifestação dentro dessa campanha do Lula, e eu espero, fé em Deus, que ele esteja reeleito, então a gente precisava estar aqui para viver esse momento histórico”, afirmou.
A estudante Isabelle Ramos Santos, de 18 anos, destacou a importância de sua presença na avenida conectando sua luta à trajetória familiar.
“É revolucionário eu estar aqui lutando pelo que a minha avó um dia lutou”, afirmou. Ela complementou com um apelo aos eleitores: “Nós estamos decidindo, como cidadãos de agora, o futuro do nosso Brasil”.
O papel dos movimentos sociais
A expressiva adesão dos mais jovens foi analisada por Gilmar Mauro, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que enxerga um novo horizonte para a classe trabalhadora.
“É uma coisa extraordinária. estou chegando aos meus 60 anos e eu nunca tinha visto mobilizações, não só em São Paulo, em todo o Brasil como nos vemos nesse segundo turno. Não é só pela democracia, que nesse momento histórico é muito importante, mas nós vamos abrir um novo ciclo de história da classe trabalhadora porque a juventude está nas ruas, isso é fundamental para o nosso futuro”, declarou.
Encerrando as avaliações sobre a juventude, a presidenta da UNE, Bianca Borges, celebrou a dimensão alcançada pelos atos estudantis nas últimas semanas.
“Esse dia pra nós coroa o que nós temos chamado de ‘Tsunami da Esperança’. São essas mobilizações dos estudantes que explodiram partir do dia 5 de outubro, que nasceram dentro da nossa esperança, mas contagiaram o Brasil inteiro, arrastaram milhões de pessoas às ruas nas maiores mobilizações da nossa história. Hoje a gente tá aqui, na véspera da nossa vitória.”
Com esses grandes atos de encerramento, a campanha presidencial chega ao seu fim formal, abrindo caminho para a votação deste domingo em todo o território nacional.