O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a partida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos como “um ato vergonhoso” durante declarações feitas nesta terça-feira (27). O chefe do Executivo federal afirmou que o ex-adversário nas urnas possui pendências perante a Justiça brasileira.
Repercussão política e o caso nos Estados Unidos A viagem internacional ocorreu menos de dois dias após o término do pleito presidencial. De acordo com informações divulgadas pelo investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, a chegada aos Estados Unidos contou com articulação atribuída ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A agência de notícias Reuters também confirmou a movimentação, enquanto a imprensa internacional passou a repercutir o episódio.
Em meio aos desdobramentos, o senador deixou de entregar os documentos de viagem à autoridade policial, descumprindo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vale destacar que as apurações conduzidas pela Suprema Corte contra Flávio continuam ativas, abrangendo suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas online e o financiamento de uma produção cinematográfica.
“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, declarou o presidente.
Críticas à condução e comparações com o passado Durante o evento com apoiadores que comemoravam seus 81 anos na área externa do Palácio da Alvorada, onde houve corte de bolo e discurso, o mandatário resgatou episódios de sua própria trajetória jurídica. O político relembrou o momento em que se apresentou à corporação policial em abril de 2018, ocasião em que permaneceu detido por 580 dias até sua soltura em novembro de 2019, período que antecedeu a anulação de seus processos pelo STF em 2021 por parcialidade do antigo magistrado responsável.
“Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte. A Polícia Federal já devia suspeitar que ele sairia do Brasil, ele tem inquérito”, acrescentou.
“Resolvi me entregar na Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência”, pontuou.
Contexto da reeleição O discurso na residência oficial também abordou a legitimidade conquistada nas urnas no último domingo (25), enfatizando a postura adotada diante de investigações e processos judiciais ao longo dos anos.
“E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso eu digo a vocês, quem não deve, não teme”, concluiu.