Uma ação armada de agentes federais de imigração dos Estados Unidos terminou com um homem ferido a tiros dentro de seu próprio automóvel na cidade de Nova York. O episódio ocorreu em plena luz do dia no bairro de Marble Hill, enquanto uma criança de cinco anos também estava no interior do veículo, provocando forte repercussão política e institucional no país.
Criança no veículo e confronto político com a Casa Branca
De acordo com relatos preliminares de testemunhas e da administração municipal, agentes da Immigration and Customs Enforcement (ICE) cercaram o automóvel antes de efetuarem diversos disparos. Apesar da gravidade do ataque, a criança não sofreu ferimentos físicos e foi posteriormente acolhida por familiares após checagem da Polícia de Nova York (NYPD).
O prefeito nova-iorquino, Zohran Mamdani, criticou duramente a conduta dos agentes federais e revelou ter entrado em contato direto com o presidente Donald Trump e com a cúpula do Departamento de Segurança Interna para negociar a soltura do homem alvejado, sem obter sucesso nas tratativas. Mamdani exigiu publicamente a interrupção das batidas do órgão na metrópole, afirmando que as operações ameaçam a segurança pública e devem permanecer afastadas de escolas, ruas e hospitais.
Versão oficial e perfil do indivíduo ferido
Por outro lado, o Departamento de Segurança Interna (DHS) sustentou que a equipe realizava uma ação de fiscalização planejada no Bronx com o objetivo de capturar um imigrante da República Dominicana com histórico judicial. Conforme dados compartilhados pela comissária Jessica Tisch, o jovem de 28 anos acumulava duas prisões na cidade, registradas em 2023 e 2025.
Em nota, o DHS declarou que a arma de fogo foi disparada durante a abordagem, atingindo o suspeito em situação migratória irregular. O órgão acrescentou que os próprios agentes federais prestaram os primeiros socorros imediatos e que o paciente permanece internado sob cuidados médicos em um hospital da região.
Aumento da letalidade nas deportações sob Trump
O caso expõe uma crise mais ampla enfrentada pelas forças de segurança federais. Desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA, agentes migratórios já atiraram em pelo menos 21 pessoas, resultando em sete mortes e motivando manifestações em várias partes do território norte-americano.
Críticos e organizações de direitos humanos apontam que a prioridade do governo republicano em acelerar deportações em massa — sob o argumento recorrente de combater crimes violentos e fraudes financeiras — tem ampliado confrontos armados e gerado denúncias sobre a falta de punição e transparência para abusos cometidos pelos agentes em serviço.