O campus de Florianópolis da Universidade do Estado de Santa Catarina recebe nesta sexta-feira, 23, a palestra “O impacto da moda na reabilitação”, ministrada pela fundadora da Bullock Inclusion, Samanta Bullock. Marcado para as 8h30 no auditório da instituição no Bairro Coqueiros, o evento é promovido pelo projeto de extensão Reabilitação Multidisciplinar em Amputados para debater a autonomia e a inclusão social de pessoas com deficiência.
Trajetória de superação da palestrante Nascida no Brasil e residente no Reino Unido há 17 anos, a ativista ficou paraplégica após ser atingida por um disparo acidental. A partir do episódio, redirecionou sua trajetória para a conscientização pública por meio de iniciativas voltadas ao setor vestuário acessível. Após retomar a prática esportiva no tênis em cadeira de rodas, onde alcançou o posto de líder do ranking brasileiro, ela resgatou o antigo sonho de atuar nas passarelas durante um ensaio fotográfico. Desde então, estampou capas de revistas internacionais, desfilou globalmente e fundou a organização que fomenta representatividade.
Parcerias internacionais e inovação acadêmica A colaboração entre o projeto universitário e a organização britânica já resultou em duas importantes parcerias recentes, incluindo a apresentação de coleções adaptadas no exterior. Estudantes do curso de design desenvolveram peças exclusivas exibidas durante a semana de moda londrina, consolidando a integração entre saúde e design.
Abordagem humanizada no atendimento Coordenado desde a sua criação em 2012, o projeto presta assistência especializada a cerca de 50 indivíduos semestralmente, oferecendo suporte clínico presencial e remoto.
“Ao longo desses anos, aprendi que reabilitação precisa ser muito maior do que recuperar movimento, força, equilíbrio ou marcha. Reabilitar é também recuperar autonomia, identidade, autoestima, participação social e a possibilidade de voltar a ocupar os espaços da vida”, diz Soraia.
O cuidado abrange avaliações funcionais e biomecânicas, contemplando pacientes em diferentes fases do tratamento com próteses.
“É por isso que o Ramp vem ampliando, na prática, o próprio conceito de reabilitação. Foi da escuta dos nossos pacientes que percebemos algo aparentemente simples, mas profundamente importante: vestir-se também fazia parte dos desafios cotidianos após uma amputação.”
Integração multidisciplinar A ampliação da perspectiva assistencial aproximou os departamentos de saúde, design e comunicação, unindo diferentes áreas acadêmicas em prol de um propósito comum.
“São três linguagens diferentes com objetivos comuns: dignidade, autonomia e pertencimento”, enfatiza Soraia.
Serviço do evento Os interessados em obter mais dados sobre as atividades assistenciais podem contatar a coordenação pelo e-mail institucional ou pelas redes sociais dedicadas à iniciativa. O evento aberto ao público acontece na Rua Pascoal Simone, nº 358, reunindo estudantes, profissionais e a comunidade interessada na temática da acessibilidade.