Seja Bem Vindo - 27/10/2026 11:04

  • Home
  • Destaques
  • STF analisa necessidade de ordem judicial para acesso a dados de usuários

STF analisa necessidade de ordem judicial para acesso a dados de usuários

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta quinta-feira (27), ao julgamento que pode definir se a regra do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) que exige ordem judicial para a entrega de dados de usuários por provedores de internet é constitucional.

Decisão judicial e proteção de dados

Até o momento, a votação está em 2 a 0 a favor da necessidade de uma decisão judicial prévia para que os dados de tráfego, como data, hora e fuso horário dos usuários, sejam compartilhados para investigações. No entanto, o julgamento foi suspenso, e ainda não há uma nova data para sua continuação.

A ação foi proposta pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), que busca garantir a aplicação rigorosa desta norma. O artigo 10 da lei estabelece que os provedores só devem disponibilizar registros mediante autorização judicial.

Pedidos de acesso sem autorização

De acordo com a Abrint, as empresas enfrentam pedidos frequentes de acesso direto ao número do IP (Internet Protocol), um código exclusivo que identifica dispositivos conectados à internet, feito por delegados de polícia, órgãos administrativos e o Ministério Público, sem que haja uma decisão judicial anterior.

O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, destacou a importância da proteção da privacidade dos cidadãos e de seus dados pessoais, enfatizando que o acesso a informações pessoais deve ser restrito.

Direitos dos titulares de dados

“O debate está atrelado à proteção constitucional da privacidade, à proteção de dados pessoais e ao direito à autodeterminação informacional, que permite ao titular decidir sobre os limites de uso das suas informações pessoais”, afirmou o ministro.

Esse posicionamento foi apoiado pelo ministro Dias Toffoli, após o qual o julgamento foi interrompido.

Durante a sessão, a advogada Mariana Silva Milanez, representante da Abrint, argumentou que a confirmação da necessidade de uma decisão judicial para o acesso aos dados é fundamental para garantir uma base de segurança jurídica tanto para as empresas quanto para os usuários.

“Os provedores enfrentam um dilema: atender aos pedidos e correr o risco de processos por parte dos titulares dos dados ou não atender e arriscar-se a ser investigados e até processados por desobediência”, explicou.

A discussão em torno da privacidade e da proteção de dados continua a ser um tema central no cenário jurídico brasileiro, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre segurança pública e direitos individuais.

VEJA MAIS

Gases do efeito estufa batem recordes históricos em 2025

Novo estudo aponta níveis sem precedentes de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na…

Alckmin rebate Trump e defende segurança das urnas no Brasil

Vice-presidente classificou questionamentos do líder americano como equivocados e reafirmou a lisura do pleito.

PF investiga se Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA via Argentina

Governo de Javier Milei nega entrada do parlamentar enquanto aliados divergem sobre a suposta viagem…