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Lula critica TSE e promete ação após suspensão de canal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai recorrer à Justiça para reverter a decisão que derrubou uma ferramenta de comunicação digital utilizada por seus eleitores durante o período de campanha.

A decisão do TSE

A medida foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, que ordenou à empresa Meta a suspensão da conta em até três horas após a notificação oficial. O espaço digital havia sido montado pelo deputado federal André Janones com o propósito de engajar militantes e disseminar materiais de campanha, alcançando a marca de 3 milhões de seguidores.

A ordem atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que argumentou que a estrutura funcionava com a replicação automatizada de conteúdos falsos e apontou descumprimento de acordos firmados pela plataforma de mensagens para o período eleitoral. A determinação estabelece que o bloqueio permaneça ativo até a validação do resultado do segundo turno.

Reação do governo e da defesa

Diante da medida, o chefe do Executivo avaliou que a Corte adota uma postura desequilibrada e criticou duramente a interferência nos espaços de mobilização digital. “Não vamos aceitar intromissão indevida da justiça eleitoral na eleição.”

O mandatário também defendeu a legalidade da iniciativa liderada pelo parlamentar mineiro. “Nós não vamos permitir que seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para pessoas que querem votar em mim para participar de um canal do Exército Lula. Não é possível que a Justiça Eleitoral não queira um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”, declarou.

Para tentar reverter o cenário desfavorável, o petista anunciou novas medidas legais. “Nós vamos hoje entrar na Justiça com o pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo.”

Posicionamento de Janones

O parlamentar responsável pela iniciativa utilizou as redes sociais para repudiar a ordem judicial e classificou a determinação como um ato de censura. “Só que eles vão sentir agora a força de 3,3 milhões de pessoas unidas. Nós não vamos nos calar. Nós vamos continuar. Eles me proibiram, inclusive, de criar outro canal, sem nenhuma argumentação”, declarou. Como alternativa, o deputado anunciou a criação de uma página em outra rede social com a mesma identidade. “Aí eles não terão como derrubar.”

Divergências internas na Corte

A ordem emitida por Nunes Marques ocorreu em contraste com o entendimento adotado por outro integrante da Corte, o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva. Em um processo paralelo sobre o mesmo tema, Cueva havia estabelecido um prazo de cinco dias para que a defesa se manifestasse e exigido detalhamento das provas apresentadas pela acusação, além de alertar sobre o risco de decisões conflitantes.

Embora tenha enviado uma cópia da sua determinação para que o corregedor adotasse as providências cabíveis, a ação rápida de Nunes Marques gerou um efeito prático imediato na disputa eleitoral antes de uma análise aprofundada do colegiado.

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