Seja Bem Vindo - 28/10/2026 14:15

MP investiga pizzaria que recusou atendimento a esquerdistas

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu uma investigação formal para apurar a conduta da Mangiare Pizzaria & Restaurante, localizada em João Pessoa, após o estabelecimento divulgar postagens nas redes sociais afirmando que não prestaria serviços a clientes identificados como “esquerdistas”. A controvérsia começou logo após o segundo turno das eleições gerais, gerando repercussão imediata e a intervenção dos órgãos fiscalizadores estaduais.

Investigação preliminar do Ministério Público

A abertura da Notícia de Fato ocorreu após o recebimento de uma manifestação anônima sobre o caso. Os promotores de Justiça responsáveis pela apuração destacaram que a Constituição Federal garante a liberdade de convicção política, mas proíbe condutas discriminatórias que violem direitos fundamentais. A empresa terá o prazo de dez dias para prestar esclarecimentos formais, e cópias do processo foram encaminhadas à Polícia Civil da Paraíba para avaliar possíveis crimes relacionados à publicação.

Inicialmente, a pizzaria havia apagado a postagem original sob a justificativa de ter sido notificada pelo órgão ministerial. No entanto, o MPPB negou qualquer contato prévio com o estabelecimento naquele momento. O texto inicial divulgado pela empresa dizia: “Comunicado importante: a pizzaria Mangiare solicita aos esquerdistas, eleitores de larápios, que não venham aqui comprar. não podemos impedir, mas não fazemos nenhuma questão de os receber. Pedimos a compreensão e o respeito a esta solicitação”.

Novas postagens e defesa da empresa

Mesmo após apagar a primeira publicação, o estabelecimento manteve o posicionamento em novas postagens nas redes sociais. A administração alegou preocupação com a liberdade de expressão, embora tenha afirmado que respeita opiniões contrárias.

Em nota, o estabelecimento declarou: “Cumpriremos a determinação que nos foi apresentada. No entanto, não podemos deixar de manifestar nossa profunda preocupação e indignação. […] Quando uma empresa ou um cidadão se sente impedido de expressar seu posicionamento, entendemos que é legítimo questionar até que ponto estamos vivendo plenamente os princípios democráticos que deveria assegurar a todos o direito de se manifestar”.

Em outro trecho divulgado nas redes, a gestão acrescentou: “Respeitamos opiniões e posicionamentos diferentes dos nossos, mas acreditamos que divergências de pensamento não devem ser utilizadas para prejudicar a imagem, a reputação ou o trabalho de uma empresa. Seguiremos trabalhando normalmente, atendendo nossos clientes e defendendo o direito de expressar nossas opiniões com responsabilidade e respeito”.

Base legal e próximos passos

De acordo com os promotores de Justiça, a conduta pode infringir o Código de Defesa do Consumidor, que veda práticas abusivas e discriminatórias, além de violar a Lei Federal nº 8.137/1990, que tipifica crimes contra as relações de consumo, incluindo a recusa injustificada de atendimento a determinados compradores.

A Notícia de Fato instaurada serve como fase investigativa inicial, permitindo que o órgão avalie a procedência da denúncia em até 30 dias. Ao término da análise preliminar, o processo poderá ser arquivado, resultar em um Inquérito Civil, virar um Procedimento de Investigação Criminal ou avançar diretamente para medidas judiciais caso as evidências sejam consideradas suficientes.

VEJA MAIS

Golpes do INSS usam falso alerta de biometria e bloqueio

Entenda quem realmente precisa cadastrar a biometria e saiba como se proteger das fraudes digitais

Calendário INSS outubro: Pagamentos e Datas de novembro

Saiba exatamente quando o seu benefício será depositado conforme a sua faixa de renda e…

Garagem virou quarto: reforma antiga trava financiamento imobiliário

Proprietário descobre que conversão de cômodo sem registro municipal impede liberação de crédito para compra…