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Lisiane Lemos destaca ética em dados e IA em Porto Alegre

Na manhã desta terça-feira (28), Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, participou de um evento na agência Escala, em Porto Alegre. Durante o encontro, ela discutiu a importância de um uso ético dos dados e da inteligência artificial (IA), ressaltando os riscos de preconceitos que podem ser perpetuados por algoritmos e a necessidade de centrar as decisões nas pessoas.

O papel dos dados na sociedade atual

Lisiane, com experiência em gigantes como Microsoft e Google, enfatizou que o avanço tecnológico deve ser acompanhado de uma análise crítica, diversidade e responsabilidade social. Segundo ela, “dados não são apenas números, mas sim uma questão de poder: quem é visto e quem permanece invisível nas decisões”. A secretária alertou que, embora o volume de informações esteja crescendo, isso não garante uma compreensão mais profunda sobre os indivíduos, já que os dados isoladamente não contam toda a história de uma pessoa.

Riscos da exclusão digital

Ela também abordou os perigos que empresas, governos e agências de comunicação enfrentam ao fundamentar decisões unicamente em dados digitais. Muitas pessoas, especialmente idosos e residentes de áreas com baixa conectividade, podem ser excluídas dessas análises. “Precisamos ter consciência de que a inclusão deve ser uma prioridade”, afirmou.

Diversidade nos processos de decisão

Lisiane sublinhou que os sistemas de IA são alimentados por dados que muitas vezes perpetuam desigualdades históricas. Para mitigar esse risco, é vital que pessoas com experiências diversas participem do desenvolvimento de produtos e políticas. “A presença de uma pessoa diferente na mesa não é suficiente; ela deve ter voz e a capacidade de provocar reflexões”, acrescentou.

A importância da qualidade dos dados

Ela recomendou a realização de testes em ambientes controlados e a análise ética das bases de dados utilizadas pelas empresas. “A qualidade do dado deve ser priorizada em relação à rapidez de lançamento de soluções”, destacou.

A experiência em inclusão digital

Compartilhando sua experiência anterior na Secretaria Extraordinária de Inclusão Digital, Lisiane ressaltou a eficácia do ensino presencial. Tentativas iniciais de cursos online falharam em atender a um público com dificuldades tecnológicas. “A inclusão digital se dá no contato direto, onde pessoas ensinam outras a usar dispositivos e acessar serviços”, afirmou.

Iniciativas de formação e empoderamento

Ela mencionou o projeto Comunidades Inovadoras, que estabeleceu laboratórios tecnológicos em áreas vulneráveis, oferecendo formação e acesso a equipamentos. Além disso, Lisiane destacou iniciativas que promovem o empreendedorismo feminino e a capacitação antirracista.

Comunicação adaptada às realidades locais

A secretária observou que o Rio Grande do Sul possui características demográficas que exigem uma comunicação mais abrangente, não restrita ao ambiente digital. Ao retornar ao estado após anos em São Paulo, ela percebeu a relevância de mídias tradicionais como rádio e TV. “Desenvolver políticas tecnológicas requer um entendimento profundo de como nos comunicamos”, enfatizou.

Integração de plataformas de comunicação

Lisiane defendeu a combinação de mídias tradicionais e digitais, considerando que os consumidores interagem em múltiplas plataformas simultaneamente. “Não podemos assumir que todos têm acesso à internet de qualidade”, alertou.

Ética na utilização de dados sensíveis

Outro tema abordado foi o uso de dados que revelam emoções e vulnerabilidades dos consumidores. A secretária questionou se a exploração dessas fragilidades será usada para aumentar vendas ou para construir relações de confiança. “Essas são decisões éticas que a sociedade deve enfrentar”, ponderou.

Segurança das informações

Lisiane também destacou que, apesar do investimento em inteligência artificial, muitas organizações ainda falham em práticas básicas de segurança, como a proteção de informações sensíveis.

Transformação social por meio da diversidade

Para Lisiane, a verdadeira contribuição das empresas para a transformação social vai além de apoiar projetos externos; trata-se de criar oportunidades. A inclusão de pessoas diversas no ambiente de trabalho é fundamental para mudanças significativas. “Ter uma equipe diversa é desafiador, mas é essencial para o sucesso”, concluiu.

Encerrando sua fala, Lisiane incentivou os presentes a se dedicarem ao aprendizado contínuo e à experimentação. “Estamos todos em um processo de aprendizagem. Precisamos testar novas ideias e compartilhar conhecimentos”, finalizou.

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