O Ministério das Relações Exteriores publicou uma nota oficial de repúdio contra os recentes ataques e insinuações de fraude eleitoral direcionados ao Brasil pelo presidente da Argentina, Javier Milei, que ocorreram a poucos dias do segundo turno marcado para o próximo domingo (25).
Ataques nas redes sociais e insinuações de fraude
O mandatário argentino utilizou plataformas digitais para criticar o presidente brasileiro e candidato à reeleição, sugerindo a existência de irregularidades no pleito. Em sua postagem na rede social X, ele compartilhou trechos de entrevistas e debates políticos recentes, incluindo falas sobre o processo eleitoral e o sistema de votação.
O Ministério das Relações Exteriores destacou a gravidade da manifestação do líder vizinho por meio de um comunicado oficial. “As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou a pasta das Relações Exteriores.
Em outra publicação, Milei compartilhou um trecho do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado no último domingo (18), em que chama Lula de “autoritário adorado pelos progressistas locais”
Resposta dura do governo brasileiro
A diplomacia brasileira classificou o comportamento do chefe de Estado argentino como inadequado e desrespeitoso com as instituições nacionais, ressaltando que o sistema de urnas eletrônicas possui histórico comprovado de segurança e confiabilidade, chancelado por observadores internacionais.
Na nota de repúdio, o Itamaraty aponta que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. “Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
Ainda na nota, o Itamaraty reafirmou que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”.
E finalizou: “A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”.
Crise diplomática e rebaixamento de relações
O atrito atual é o capítulo mais recente na deterioração dos laços diplomáticos entre Brasília e Buenos Aires, processo que se intensificou nos últimos meses devido a declarações hostis do governo argentino. Desde agosto, o posto de embaixador brasileiro na capital argentina permanece vago, e o representante diplomático do país vizinho foi obrigado a deixar território nacional.
Em 26 de julho, o embaixador brasileiro Bitelli foi convocado a voltar a Brasília após Milei xingar o presidente Lula em convenção partidária do Partido Liberal (PL), que indicou o senador Flávio Bolsonaro a disputar a Presidência da República.
Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do julgamento que condenou o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Essa ruptura ocorre apesar da forte integração econômica entre as duas nações, que são os principais parceiros comerciais do bloco do Mercosul e mantêm laços históricos profundos nos setores industriais e automotivos.