O principal indicador da bolsa brasileira sofreu uma queda drástica de 16% na abertura desta segunda-feira (26), despencando para a faixa dos 171 mil pontos logo após o acionamento do mécanisme de segurança conhecido como circuit breaker.
Mínima histórica e impacto internacional
Durante os piores momentos da sessão, o índice acionário recuou ainda mais, atingindo o patamar mínimo de 169.516 pontos. O ritmo intenso de vendas obrigou a paralisação total das operações por 30 minutos, refletindo o nervosismo generalizado dos investidores diante do resultado do pleito presidencial ocorrido no domingo (25).
Essa ocorrência marcou a primeira vez que o mecanismo de contenção foi ativado desde março de 2020, período crítico marcado pelo início da pandemia global de Covid-19. No último pregão da semana anterior, realizado na sexta-feira (23), o indicador havia encerrado as atividades cotado em 205 mil pontos.
Repercussão global e fuga de ativos
Antes mesmo do toque de abertura oficial na B3, o nervosismo já se manifestava no exterior. Nos Estados Unidos, o fundo EWZ, voltado para o monitoramento de papéis brasileiros em Nova York, sofreu uma desvalorização de 27% no pré-mercado. No mercado asiático, um veículo de investimento equivalente negociado em Tóquio registrou retração de 15%, configurando o seu pior desempenho diário desde a crise financeira global de 2008. Os títulos soberanos emitidos pelo Brasil em moeda estrangeira também acompanharam o movimento de baixa.
O cenário atual representou uma guinada abrupta em relação ao otimismo que predominava nas mesas de operação dias antes. O favoritismo de Flávio Bolsonaro durante a etapa inicial do pleito havia impulsionado uma forte alta nos ativos locais, impulsionada pela perspectiva de maior rigidez fiscal e cortes futuros na taxa básica de juros. Grandes instituições financeiras globais, incluindo JPMorgan, Morgan Stanley, UBS e Citigroup, mantinham relatórios com projeções otimistas para o mercado acionário brasileiro.
Mudança de rumo e disparada dos juros
Com a confirmação da vitória eleitoral de Lula, o tom dos relatórios financeiros mudou rapidamente. O JPMorgan optou por rebaixar a recomendação atribuída à moeda brasileira e aos títulos da dívida pública. A percepção dominante entre os analistas aponta que o retorno do PT ao poder gera incertezas severas sobre a solvência fiscal do país e o controle da trajetória da dívida pública.
A instabilidade econômica também provocou forte estresse na curva de juros futuros. Os contratos negociados na B3 subiram expressivamente em vários prazos, evidenciando o salto na percepção de risco institucional pelos agentes financeiros. Entre os principais reflexos, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento programado para janeiro de 2031 saltou para 14,46%, acumulando uma alta expressiva de aproximadamente 1,9 ponto percentual.