O Ministério Público de Goiás deflagrou uma operação para apurar denúncias graves contra o ex-dirigente de uma entidade religiosa na capital do estado, suspeito de cometer delitos contra a dignidade sexual.
Operação Luz e Sombra mira ex-dirigente religioso
A ofensiva policial e ministerial cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em locais associados ao alvo, entre eles a sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, situada no bairro Jardim Guanabara II, em Goiânia. Conforme os dados levantados pelas autoridades, o investigado é acusado de se valer da autoridade inerente à sua função para se aproximar de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade socioeconômica.
Investigação aponta chantagem com cestas básicas
As apurações indicam que o homem utilizava a posição de confiança para exigir o envio de material de conteúdo sexual em troca da entrega de cestas básicas. Além da suposta exigência de favores sexuais pelo auxílio alimentar, o inquérito também analisa denúncias de vazamento e compartilhamento não autorizado de fotografias e vídeos íntimos das vítimas com terceiros, conduta que pode configurar infração penal grave.
O processo tramita em segredo de justiça e teve início após o protocolo de uma notícia-crime elaborada por uma frequentadora da instituição. O Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita) conduz diligências que indicam a possibilidade de existência de outras pessoas atingidas pelas mesmas práticas ilícitas na região.
Medidas cautelares e afastamento da comunidade
Em decorrência das evidências coletadas, a Justiça impôs restrições severas ao suspeito, incluindo a obrigação de comparecer periodicamente perante o juízo e a proibição absoluta de frequentar a instituição religiosa ou exercer quaisquer funções em eventos da comunidade. O homem já havia sido formalmente afastado da presidência da entidade durante uma assembleia geral extraordinária ocorrida em julho, deixando o local atualmente sob nova gestão e temporariamente fechado.
Paralelamente, os órgãos de persecutoria penal apuram relatos de que o investigado estaria tentando iniciar novas atividades de cunho religioso no município de Santa Helena de Goiás, além de planejar a fundação de um novo centro espírita.
A força-tarefa responsável pelo caso conta com a atuação conjunta da Procuradoria-Geral de Justiça, da 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, do Gaeco e do Navita, reforçando o canal de atendimento para que novas testemunhas ou pessoas prejudicadas possam colaborar com a elucidação dos fatos.