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Fundo Brasil defende inclusão de povos tradicionais em recursos de direitos humanos

A diretora-executiva do Fundo Brasil, Allyne Andrade, destacou a necessidade urgente de direcionar recursos para os povos tradicionais do Brasil, enfatizando que estes grupos enfrentam desigualdades exacerbadas pela crise climática. Desde que assumiu a liderança da organização em maio deste ano, Andrade tem trabalhado para repensar a atuação da fundação em um cenário de crescente desigualdade social.

Desafios e atuação do Fundo Brasil

Allyne Andrade, que possui uma sólida formação acadêmica e uma trajetória no ativismo social, ressaltou a importância de conectar o ativismo, a academia e a filantropia. Em uma entrevista, ela mencionou que o Fundo Brasil foi criado para suprir lacunas de financiamento para comunidades diretamente afetadas por violações de direitos humanos. “Muitas vezes, os recursos destinados à solução de problemas climáticos não chegam às comunidades que estão na linha de frente”, afirmou.

Programa Raízes: apoio a comunidades tradicionais

Em resposta a essa necessidade, o Fundo Brasil lançou o programa Raízes em 2023, focado em justiça climática. Esse programa visa oferecer apoio financeiro a povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais. Andrade explicou que o acesso a esses recursos se dá através de editais públicos, onde organizações sociais podem submeter propostas, que são avaliadas por comitês especializados.

Apoio emergencial e resposta rápida

Além das doações estruturais, o programa Raízes também prevê aportes emergenciais para proteger lideranças em áreas ameaçadas por desmatamento e conflitos territoriais. Andrade mencionou que, durante crises climáticas, como a que afetou o Rio Grande do Sul, o Fundo Brasil tem a capacidade de agir rapidamente para apoiar as comunidades afetadas.

Avanços e perspectivas futuras

Completando duas décadas de atuação em 2026, o Fundo Brasil já investiu R$ 141 milhões em 2,5 mil iniciativas. Somente em 2025, a fundação destinou R$ 32 milhões à sociedade civil, representando um aumento significativo em comparação ao ano anterior. Andrade se mostrou otimista em relação ao futuro, enfatizando a importância de fortalecer a sociedade civil e a democracia no Brasil.

Frentes de atuação em direitos humanos

O trabalho do Fundo Brasil abrange diversas áreas, incluindo apoio a trabalhadores, combate ao racismo e defesa dos direitos de pessoas LGBTQIAPN+. A fundação também se dedica a questões relacionadas à violência de gênero e à reforma do sistema prisional, buscando um tratamento mais humano para os detentos. Andrade enfatizou a necessidade de uma comunicação estratégica com os movimentos sociais para fortalecer a luta pelos direitos humanos.

A expectativa de Allyne Andrade é que, ao longo de sua gestão, seja possível criar um espaço colaborativo que permita a troca de ideias entre ativistas, pesquisadores e a iniciativa privada, visando o fortalecimento dos direitos humanos no Brasil. A fundação planeja realizar uma conferência para discutir os desafios atuais e traçar estratégias para os próximos 20 anos. Assim, Andrade deseja promover um diálogo inclusivo que respeite as cosmovisões dos povos e comunidades tradicionais.

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