Na última semana antes da votação decisiva do segundo turno, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) deflagrou uma ofensiva para neutralizar temores de cortes no Bolsa Família. A mobilização ocorre após repercussões negativas provocadas por declarações da coordenadora econômica do plano de governo, Daniella Marques, que forneceram munição para adversários questionarem o destino dos programas de assistência social.
Contenção de danos e esclarecimento sobre prazos
O próprio presidenciável publicou vídeos nas redes sociais para desmentir que pretenda fixar um teto de dois anos para a permanência dos inscritos no benefício. De acordo com o senador, a janela de 24 meses valeria apenas para as pessoas que conquistassem um trabalho formal ou abrissem um negócio próprio. Ele assegurou ainda a reinclusão imediata no programa em eventuais episódios de demissão ou fechamento de microempresa.
Atualmente, a legislação já prevê mecanismos semelhantes de transição: famílias que ultrapassam a linha de corte por obterem renda de trabalho mantêm metade do valor mensal por um intervalo específico e contam com prioridade no retorno em caso de perda de emprego.
Pressão do reajuste e foco no corte de gastos
O impacto do episódio acentuou-se devido ao início do pagamento do reajuste de 15% no Bolsa Família, concedido pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário direto no pleito marcado para domingo (25/10). A bancada petista associou o ruído da entrevista à promessa do senador de suprimir R$ 200 bilhões do orçamento governamental, apontando risco direto aos repasses assistenciais.
Interlocutores da campanha admitiram reservadamente que a abordagem da equipe econômica se tornou uma “pedra no sapato”, diante da dificuldade histórica de detalhar as áreas que absorveriam a redução de despesas públicas sem alimentar temores entre as camadas mais vulneráveis.
Palanques estratégicos e mobilização de apoiadores
Para recuperar terreno e expandir a base para além do núcleo tradicional, a legenda determinou que parlamentares e influenciadores digitais publiquem conteúdos de defesa da rede de proteção social. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) acionam prefeitos e lideranças municipais em favor do candidato.
No Nordeste, região de forte peso do programa de transferência de renda, as ações foram intensificadas. O vice na chapa, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), coordena atividades ao lado de lideranças como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que cumprirá agenda em Fortaleza na sexta-feira. O próprio senador visita São Paulo e Ceará na quarta-feira (21/10) antes de se concentrar no Rio de Janeiro para o debate final na televisão.
Calendário decisivo da reta final
O encerramento oficial das campanhas segue prazos rígidos da Justiça Eleitoral:
- Quinta-feira (22/10): término dos comícios e do impulsionamento de peças pagas na internet;
- Sexta-feira (23/10): encerramento do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, além da realização dos últimos debates;
- Sábado (24/10): autorização para carreatas, caminhadas e distribuição de material impresso até as 22h, quando Flávio cumprirá roteiros em Minas Gerais e no Rio de Janeiro;
- Domingo (25/10): votação das 8h às 17h, no horário de Brasília, com apuração logo em seguida.
Com a proximidade das urnas, o comitê do PL aposta no corpo a corpo e no alinhamento das mensagens digitais para blindar a candidatura de desgastes e assegurar competitividade nos colégios eleitorais prioritários.