O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pela equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O processo acusa a chapa adversária de promover uso indevido dos meios de comunicação social mediante a estruturação de uma teia articulada no Instagram para propagar notícias fraudulentas em massa.
Pedidos de sanção e suspensão de ferramentas
Protocolada a 18 dias da realização do segundo turno da corrida eleitoral de 2026, a peça jurídica soma cerca de 200 páginas e requer a perda do registro ou do diploma conferido à chapa “Brasil Pronto pra Mais”, além da aplicação de inelegibilidade por oito anos aos envolvidos. A representação pleiteia ainda a exclusão imediata de 221 publicações e a interrupção do funcionamento de contas apontadas como “produtores de desinformação e do recurso de coautoria (collab)” até a conclusão da votação.
Estrutura identificada pela defesa
O dossiê elaborado pelos advogados de Flávio Bolsonaro sustenta a existência de 1.525 contas conectadas por meio de 5.882 postagens compartilhadas na plataforma da Meta, distribuídas em 16 núcleos operacionais. No intervalo entre 5 e 7 de outubro, esse ecossistema teria veiculado 2.856 mensagens em favor da campanha governista, sendo 2.101 delas publicadas sob o formato de coautoria entre múltiplos perfis.
De acordo com o levantamento anexado aos autos, foram mapeadas 218 postagens com teor inverídico ou descontextualizado. O material teria alcançado cerca de 11,6 milhões de reproduções e 2,5 milhões de interações em um intervalo de aproximadamente 62 horas.
Eixos temáticos sob questionamento
A representação lista nove narrativas principais que teriam sido exploradas para desinformar o eleitorado, incluindo acusações sobre supressão de benefícios sociais, fraudes nos pleitos e manipulação de falas do próprio parlamentar liberal. O documento sintetiza as mensagens monitoradas:
“O ‘golpe’ e o ‘fim das eleições’; o ‘congelamento’ das aposentadorias e o fim de programas sociais; as ’16 horas por dia’ e a ‘escala 7×0’; a imputação de crimes sem prova…; a interferência estrangeira apresentada como fato consumado; a fraude eleitoral”, diz o texto.
Mobilização e perfis citados
A representação também menciona a iniciativa “Porta-Voz do Lula”, descrita como uma engrenagem responsável por estruturar grupos no aplicativo WhatsApp, repassar metas diárias de divulgação digital e gerenciar uma pontuação competitiva entre voluntários. Adicionalmente, a peça cita a conta @brasilcomlula, apontada como braço oficial da comunicação petista, sob o argumento de que a página também teria impulsionado dados distorcidos.
A tramitação do caso agora corre sob a relatoria do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, integrante da Corregedoria-Geral Eleitoral (CGE). Até o momento, os advogados de Luiz Inácio Lula da Silva e de Geraldo Alckmin não apresentaram manifestação formal sobre os termos da representação.