Seja Bem Vindo - 27/10/2026 12:23

  • Home
  • Brasil & Mundo
  • Expedição entra em uma floresta remota e reencontra 21 espécies, incluindo uma criatura desaparecida havia 126 anos

Expedição entra em uma floresta remota e reencontra 21 espécies, incluindo uma criatura desaparecida havia 126 anos

Uma expedição na floresta de Makira, em Madagascar, reencontrou 21 espécies sem registros científicos recentes, entre peixes, aranhas, besouros e um milípede gigante. O caso mais extremo envolvia um invertebrado documentado pela última vez em 1897, embora conhecido por comunidades locais.

Qual criatura permaneceu 126 anos fora dos registros científicos?

O maior intervalo pertencia ao milípede Spirostreptus sculptus, descrito em 1897 e não documentado novamente por pesquisadores até a expedição. Uma das fêmeas encontradas media 27,5 centímetros, dimensão próxima ao comprimento de um antebraço adulto.

O animal não estava necessariamente desaparecido da região. Moradores e guias locais provavelmente continuaram encontrando a espécie, mas nenhum registro científico verificável havia sido produzido durante 126 anos, diferença importante entre extinção, ausência de pesquisa e perda para a ciência.

Expedição entra em uma floresta remota e reencontra 21 espécies, incluindo uma criatura desaparecida havia 126 anos

Como a equipe conseguiu localizar tantas espécies em Makira?

A busca ocorreu entre agosto e setembro de 2023 e reuniu 16 cientistas, além de guias, carregadores e moradores, formando uma equipe com mais de 30 pessoas. Especialistas examinaram rios, folhas, troncos, cavernas e o solo úmido durante aproximadamente três semanas.

A missão envolveu Re:wild, Universidade de Antananarivo, Wildlife Conservation Society, The Peregrine Fund, American Bird Conservancy e BINCO. A biodiversidade de Madagascar favorece descobertas, mas o isolamento e a dificuldade de acesso deixam numerosas áreas pouco estudadas.

Quais números resumem os principais reencontros?

Os pesquisadores partiram com uma lista de 30 espécies perdidas para a ciência. Encontraram três alvos previstos e outras 18 espécies que não estavam entre as prioridades iniciais, totalizando 21 reencontros confirmados depois de meses de identificação e análise.

Entre os resultados estavam três peixes sem registros desde 2003 ou 2006, dois besouros semelhantes a formigas ausentes desde 1958 e aranhas não documentadas desde o início do século XX. A diferença de datas mostra que cada reencontro possui uma história própria.

Os marcos mais expressivos organizam a dimensão temporal da expedição.


Espécie
Último registro
Intervalo


Milípede gigante
Spirostreptus sculptus


1897


126 anos


Aranha-saltadora
Tomocyrba decollata


1900


123 anos


Besouros semelhantes a formigas


1958


65 anos


Peixe-arco-íris de Makira
Bedotia alveyi


2003


20 anos

O que os peixes translúcidos revelaram sobre a busca?

Nos primeiros cinco dias, os biólogos não localizaram os três peixes procurados nos trechos próximos ao acampamento. A estratégia mudou quando guias caminharam por dois ou três dias, contornaram uma cachoeira e conversaram com pescadores de comunidades distantes.

Essa colaboração levou ao peixe-arco-íris de Makira, a um pequeno Rheocles de escamas iridescentes e a Ptychochromis makira, espécie rara até para os moradores. Os encontros mostraram que conhecimento local e métodos científicos podem localizar populações invisíveis em levantamentos rápidos.

A operação combinou diferentes ambientes, profissionais e métodos de detecção.


Método
Resultado


Busca em rios


Três peixes reencontrados


Armadilhas luminosas


Besouros e outros insetos registrados


Inspeção de cavernas


Aranhas e sacos de ovos observados


DNA ambiental


37 vertebrados adicionais detectados

Por que reencontrar uma espécie não elimina o risco de extinção?

A redescoberta confirma sobrevivência, mas não informa automaticamente quantidade, distribuição ou estabilidade populacional. Algumas espécies podem ocupar apenas um riacho, fragmento de floresta ou micro-habitat, permanecendo vulneráveis a desmatamento, mudanças climáticas, poluição e coleta.

O relatório da Re:wild sobre Makira será usado para atualizar avaliações e orientar pesquisas. A expedição também não encontrou alguns alvos, como um lêmure e um camaleão, mostrando que ausência de registro continua sem resposta definitiva.

Quatro etapas transformam o reencontro em ação de conservação:

  • Confirmar a identificação por especialistas e coleções científicas.
  • Mapear a distribuição além do ponto inicial da descoberta.
  • Estimar população, reprodução e ameaças presentes no habitat.
  • Proteger rios, cavernas e floresta primária usados pelas espécies.

Leia também: Motorista apresentou CNH digital na blitz e acabou precisando da física antes de ser liberado

O que a expedição muda no estudo de espécies perdidas?

A missão testou uma busca simultânea por diferentes grupos, em vez de concentrar recursos em uma única espécie. O modelo permitiu reunir ictiólogos, entomólogos, aracnólogos, herpetólogos e especialistas locais, ampliando a quantidade de ambientes investigados durante uma mesma operação.

O resultado reforça que espécies ausentes dos registros não devem ser declaradas extintas sem evidências suficientes. Makira ainda abriga organismos desconhecidos ou pouco documentados, e a proteção da floresta será decisiva para que futuros levantamentos encontrem populações antes que desapareçam de fato.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

MP investiga Lucas Pavanato por discurso de ódio

Promotoria quer apurar declarações polêmicas do político sobre minorias ditas durante entrevista radiofônica.

Escapamento esportivo em moto: quando a troca gera multa?

Entenda as regras de trânsito para modificações no sistema de escapamento e saiba evitar autuações…

Demitido sem justa causa descobre regra do saque-rescisão do FGTS

Entenda por que alterar a modalidade do fundo após a dispensa não garante o acesso…