Durante uma sabatina realizada na noite desta quinta-feira (15), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu a continuidade da política de valorização do piso nacional e comentou sobre divergências com especialistas da área econômica.
Visão sobre a economia e ganho real
O chefe do Executivo defendeu a tese de que a circulação de recursos entre os trabalhadores é o principal motor para o desenvolvimento financeiro do país, contrapondo críticas recebidas de analistas em relação ao aumento do piso nacional.
“Eu tenho divergência com muitos economistas. Eu tenho uma tese: muito dinheiro na mão de poucos é pobreza; pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza. Por isso eu aposto nos pequenos, no trabalhador, no microempreendedor. O que faz a economia do Brasil crescer é a microeconomia, é o dinheiro rodar na mão do povo”, disse Lula, em sabatina do Jornal Nacional.
Na mesma ocasião, o candidato reforçou seu compromisso com o poder de compra da população:
“Eu vou manter reajuste do salário mínimo acima da inflação”, complementou.
A declaração serve como contraponto às ideias de adversários políticos, a exemplo de Flávio Bolsonaro, do PL, que avalia acabar com a política de valorização do salário mínimo, que garante ganho real também às aposentadorias e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Combate ao endividamento das famílias
Diante de dados que apontam 81% da população endividada, o governo tem buscado alternativas por meio de iniciativas focadas na renegociação de débitos e na limpeza do nome dos cidadãos.
O foco recai sobre a terceira fase do programa de renegociação, que prevê leilões para quitar débitos de menor valor com descontos expressivos concedidos pelas instituições financeiras.
“Lançamos o Desenrola 3 e vamos fazer um leilão das dívidas das pessoas. Esperamos que os bancos deem desconto de mais de 90% para dívidas de até R$ 4 mil. Vamos usar R$ 150 bilhões para comprar essas dívidas. Se comprar por 5% do valor, fazemos um favor extraordinário para as pessoas nesse país”, afirmou Lula. “E isso sem mexer no espaço fiscal”, complementou.
Anistia para microempreendedores
Outro ponto central abordado foi a situação fiscal dos pequenos negócios, cujos débitos acumulados impedem o acesso a novas linhas de crédito e a formalização plena no mercado.
Estima-se que existam cerca de R$ 12,7 bilhões em obrigações ativas da União vinculadas a esses trabalhadores, montante considerado de difícil recuperação pelo governo federal.
“Eu pedi estudo para fazer o perdão da dívida e as pessoas começarem vida nova, sobretudo o micro e pequeno empreendedor. Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Eu não vou fazer o povo pagar”, destacou Lula.
Com essas medidas, a gestão federal busca injetar ânimo na base da pirâmide econômica, apostando na microeconomia e na recuperação do crédito para estimular o crescimento interno sem descuidar das contas públicas.