O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como inviável a promessa feita pelo senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de paralisar o pagamento de débitos de cidadãos e empresas no país. A declaração foi dada durante entrevista concedida na sexta-feira (23/10).
Inviabilidade econômica da proposta
Conforme avaliou o representante da pasta econômica, a execução de uma medida com esse perfil está fora do alcance da gestão pública.
“Flávio Bolsonaro falou que daria uma espécie de suspensão de pagamento para pessoas físicas e pessoas jurídicas, o que não é possível. Nenhum governo conseguiria entregar o que ele falou”, disse o ministro, em entrevista ao UOL.
Origem do debate sobre os débitos
A contestação por parte do governo federal surge em resposta direta a uma declaração apresentada pelo parlamentar durante o debate presidencial transmitido pela TV Band no domingo anterior (18/10). Na ocasião, o candidato detalhou como pretende lidar com o endividamento da população e do setor produtivo.
“No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E o que vai acontecer com isso? Vai ser já por um valor muito menor. Quando eu começar a ser presidente da República, a taxa de juros já vai começar a cair de uma forma muito rápida. E para você que é pessoa física, vai ficar seis meses congelado, parada a sua dívida, você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano, um ano sem pagar os seus boletos, sem pagar as suas dívidas que estão atrasadas”, disse.
Atenção aos impactos da jornada de trabalho
Durante a mesma conversa com a imprensa, Durigan também abordou o cenário das companhias que possam vir a sofrer impactos decorrentes do encerramentos do regime de trabalho conhecido como escala 6×1, indicando que a administração federal monitorará a situação de perto.
“Se a gente identificar que tem dívida dessas empresas do pequeno empreendedor, desse setor que está mais afetado pela mudança de jornada, nós vamos apresentar propostas ao Congresso, seja proposta de crédito seja proposta de revisão e perdão de dívida à medida em que elas forem consideradas irrecuperáveis”, afirmou.