Nos últimos oito anos, o uso de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores no Brasil aumentou consideravelmente, passando de 7,6 mil unidades em 2016 para impressionantes 284 mil em 2024. Esse crescimento de 37 vezes revela um novo paradigma na mobilidade urbana do país, que será explorado em uma edição do programa Caminhos da Reportagem, exibida na TV Brasil nesta segunda-feira (17), às 23h.
O impacto das bicicletas elétricas nas grandes cidades
As bicicletas elétricas e veículos similares já se tornaram parte integrante da rotina em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Embora ofereçam uma alternativa prática e eficiente para deslocamentos curtos, a popularização desses meios de transporte também gera preocupações em relação à segurança dos usuários e pedestres.
Desafios da convivência no trânsito
Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, destaca que a adoção crescente desses veículos pela população é um reflexo de sua utilidade. Contudo, ele enfatiza que é necessário um debate sobre como integrar esses meios de transporte no cotidiano das cidades. “O uso desses veículos cresceu de forma espontânea, mas precisamos entender como ordená-los e evitar conflitos nas vias”, afirma Saldanha.
Infelizmente, a falta de regulamentação e infraestrutura adequadas já resultou em tragédias, como o caso do menino Chico, de 9 anos, e sua mãe, que perderam a vida após um acidente envolvendo um ônibus enquanto utilizavam um autopropelido no Rio. O pai de Chico, Vinicius Cacofonias, reforça a importância de reconhecer que acidentes podem afetar qualquer um e a necessidade de uma abordagem mais cautelosa em relação à segurança no trânsito.
Regulamentação e categorias de veículos
Atualmente, a regulamentação dos veículos elétricos é feita pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio de uma resolução de 2023. Os veículos são divididos em três categorias: bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores. As bicicletas elétricas necessitam da propulsão humana e oferecem pedal assistido, enquanto os autopropelidos não dependem do esforço do ciclista e têm velocidade máxima de 32 km/h. Já os ciclomotores podem atingir até 50 km/h.
As duas primeiras categorias não exigem habilitação ou licenciamento, mas os ciclomotores requerem habilitação de categoria A ou uma autorização específica para conduzir esse tipo de veículo.
Perspectivas sobre a segurança no trânsito
Raphael Pazos, da Comissão de Segurança do Ciclismo do Rio de Janeiro, critica a falta de exigências para a condução de autopropelidos, considerando um erro não exigir habilitação para esses veículos. Segundo ele, a recente mudança na nomenclatura e regulamentação pode levar a um aumento de acidentes, especialmente entre jovens. “Agora, qualquer adolescente pode adquirir um autopropelido e utilizá-lo em calçadas e ciclovias sem a devida formação”, alerta Pazos.
A adaptação das cidades à nova mobilidade
Conforme observa o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcus Quintella, as cidades ainda carecem de adaptações para acomodar esses novos meios de transporte. “As metrópoles não foram planejadas para essa realidade. O que se vê são adaptações que precisam ser feitas para garantir a segurança e a fluidez no trânsito”, conclui. A bicicleta, em suas várias formas, já ocupa um espaço significativo na matriz de transporte urbano, e é fundamental encontrar um equilíbrio que promova a micromobilidade sem comprometer a segurança de todos.