A Prefeitura de Curitiba admitiu oficialmente que está avaliando mudanças na oferta escolar do 6º ao 9º ano na rede municipal. A confirmação ocorreu por meio de um documento enviado à Câmara Municipal em resposta aos questionamentos da vereadora Camilla Gonda (PT).
A resposta oficial da prefeitura
Em um documento datado de 19 de outubro, a Secretaria Municipal da Educação respondeu ao Pedido de Informação com a seguinte declaração: “esta Secretaria Municipal da Educação está realizando estudos e análises acerca da organização da oferta educacional dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano). Ressaltamos que, até o presente momento, não há decisão administrativa formalizada quanto à redução, ao encerramento ou à transferência dessa oferta para a Rede Estadual de Ensino”.
Apesar da nota oficial, o sindicato da categoria e as famílias afirmam que o plano de encerramento já está em andamento nos bastidores. A orientação repassada internamente seria para que as matrículas do 6º ano fossem interrompidas gradualmente a partir do próximo ciclo, pegando os pais de surpresa antes do envio das cartas de rematrícula.
Desempenho escolar de destaque
Diferente do esperado para unidades que supostamente precisariam de intervenções, as 11 escolas na mira da alteração apresentam índices educacionais expressivos. Os dados do Inep mostram que o IDEB 2025 dessas instituições varia entre 5,1 e 5,7, superando a média nacional das escolas públicas brasileiras.
Além disso, os resultados do SAEB em matemática e língua portuguesa demonstram alto rendimento dos estudantes. O indicador de distorção idade-série nessas unidades também fica abaixo da média encontrada em colégios estaduais da capital paranaense.
Impacto na rotina das famílias e inclusão
Pais e responsáveis temem que a transferência de alunos resulte em superlotação de colégios estaduais distantes e falta de transporte escolar adequado. Outro ponto crítico levantado é o prejuízo aos programas voltados para a educação inclusiva, atendimento especializado a autistas e projetos de robótica e iniciação científica desenvolvidos nas unidades.
Diante do cenário e da proximidade do período de rematrículas, grupos de pais organizam protestos e cobram transparência da gestão municipal. O sindicato estima que centenas de docentes possam ser afetados diretamente caso o encerramento das turmas seja concretizado.