O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) registrou um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP) nesta quinta-feira (15). O político denunciou a propagação de um vídeo manipulado por inteligência artificial que utiliza sua voz para imputar a ele posições e falas que nega ter emitido.
Acusações contra a campanha adversária De acordo com o candidato petista, o material falso foi espalhado por pessoas vinculadas ao grupo político de sua oponente no segundo turno, a governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP).
“Pessoas ligadas à campanha da minha adversária, atual governadora candidata Celina [Celina Leão], disseminaram um vídeo que usa a minha voz artificialmente e que, durante o vídeo, afirma que eu vou fazer certas coisas que eu jamais faria, que eu fiz certas coisas que eu não fiz, que eu tenho ideias e posições que eu não tenho, ou seja, mentira, fake news”, declarou.
A equipe de comunicação de Celina Leão foi procurada para comentar as acusações e a suposta participação de aliados na difusão da gravação, mas respondeu com a frase: “Sem comentário”.
Disseminação em grupos de WhatsApp Grass relatou que soube do conteúdo através de participantes de conversas coletivas no aplicativo WhatsApp, mencionando especificamente uma disseminação atribuída a um coordenador de campanha na região do Paranoá e a inclusão do material na comunidade conhecida como “Tropa do Gustavo Rocha”.
O político entregou às autoridades capturas de tela, a própria mídia digital e depoimentos sobre o caso, exigindo celeridade nas investigações.
“É importante que este crime seja apurado o rápido possível pela Polícia Civil e, eventualmente, pelo próprio Ministério Público, porque, como eu disse, além de configurar crime eleitoral, na nossa avaliação, também existe aqui um crime civil, um crime contra mim. E eu não vou aceitar nem que a mentira seja disseminada, tampouco que a eleição seja suja, contaminada e manchada por um tipo de comportamento como esse”, afirmou.
Decisão do Tribunal Regional Eleitoral A Justiça Eleitoral já atua no caso por meio de uma liminar concedida na quarta-feira (14) pelo juiz auxiliar Carlos Alberto Martins Filho, atendendo a uma representação da Coligação DF do Povo. A determinação impõe a interrupção imediata de novos envios da mídia, sob pena de multa de R$ 5 mil por descumprimento.
A análise técnica apontou que a gravação inicia com um trecho real do candidato, mas emprega deepfake a partir dos seis segundos para simular falas sobre pautas polêmicas, como escolas cívico-militares, o suposto “kit gay”, gestões passadas e o Museu da Bíblia. A decisão também ordenou que a operadora Claro identifique o responsável pelo número acionado no processo.
Conclusão do caso O candidato reforçou sua confiança nas instituições e prometeu responsabilizar os autores da fraude que mancha o processo democrático local.
“Eu acredito na justiça, acredito na verdade e vou, sim, buscar responsabilizar aqueles que mentiram sobre mim, que tentaram sujar a eleição no DF e que provocaram danos pessoais e morais contra mim. Infelizmente, não compreendem que uma eleição tem que se dar a partir da verdade e estão praticando a mentira”, declarou o candidato.