Neste domingo, 2 de agosto, diversas caminhadas estão sendo realizadas em 26 cidades do Brasil e no exterior, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o lipedema. Essa condição, que afeta uma em cada dez mulheres no país, é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas extremidades do corpo, especialmente nos braços e nas pernas.
O que é o lipedema?
O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo que provoca um aumento desproporcional do tecido gorduroso, resultando em dor, inchaço e sensibilidade nas áreas afetadas. Segundo a cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, essa condição é frequentemente confundida com a celulite, mas possui características distintas. “Enquanto a celulite é uma alteração estética, o lipedema causa dor e limitações físicas”, explicou.
Identificação dos sintomas
Os principais sinais do lipedema incluem o aumento simétrico das pernas e braços, dor ao toque, sensação de peso, inchaço e a formação de hematomas. Tatiana destaca que, ao contrário da celulite, os pés e mãos geralmente permanecem preservados, o que pode criar um aspecto de “garrote” nas extremidades.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do lipedema é clínico, baseado na história clínica da paciente e no exame físico, sem exames laboratoriais definitivos. “É fundamental que a avaliação seja feita por um médico experiente, pois não há testes que confirmem a doença diretamente”, ressaltou Tatiana. Exames como o doppler podem ser utilizados para descartar outras condições.
Embora o lipedema seja uma condição crônica, existem formas de tratamento. O manejo individualizado pode incluir uma dieta equilibrada, controle do peso, exercícios físicos, fisioterapia e terapia compressiva. Em casos selecionados, a cirurgia pode ser uma opção para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida.
Causas e fatores de risco
As causas do lipedema ainda não são completamente compreendidas, mas há uma forte ligação com fatores genéticos e hormonais. É comum encontrar mulheres da mesma família apresentando características semelhantes, mesmo que não tenham sido diagnosticadas. Alterações hormonais, como as que ocorrem na adolescência, gravidez e menopausa, podem agravar os sintomas.
Tatiana recomenda que as mulheres que notem sinais do lipedema procurem um especialista. “Identificar a condição precocemente permite um melhor controle dos sintomas e protege as articulações. Muitas mulheres sentem-se culpadas achando que o problema é apenas falta de esforço para emagrecer, mas a avaliação médica é crucial”, concluiu.
Dessa forma, a conscientização sobre o lipedema é essencial para que mais mulheres recebam o diagnóstico adequado e possam buscar o tratamento necessário. As caminhadas deste domingo representam um passo importante nessa direção, promovendo não apenas informação, mas também apoio àquelas que enfrentam essa condição.