O bispo católico Dom Geraldo Maia, da diocese de Araçuaí, localizada no Vale do Jequitinhonha, integrou o grupo de 50 religiosos que assinou a carta aberta intitulada “Ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026”. O texto foi divulgado em 22 de outubro de 2026 e orienta a participação dos católicos no pleito realizado em 25 de outubro.
Contexto da convocação e posicionamento eclesiástico Segundo o documento, uma das candidaturas concorrentes vai de encontro a diretrizes fundamentais da Doutrina Social da Igreja (DSI), além de ameaçar a soberania nacional e a democracia. O texto tem início com uma citação do papa Leão XIV presente na encíclica Magnifica Humanitas: “Há situações em que, para permanecermos humanos, temos de abandonar as hesitações e tomar posição. Há conflitos nos quais não é justo permanecer neutros”.
Diante disso, os religiosos pontuam que o Brasil atravessa “uma dessas situações”, exigindo um posicionamento alinhado ao Santo Evangelho. A publicação também dialoga diretamente com a Mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgada em 21 de outubro de 2026, reforçando que o voto deve ser decidido à luz dos ensinamentos católicos.
Sete pontos de antagonismo apontados pelo documento Sem citar nomes diretamente, a carta enumera sete divergências centrais entre uma das candidaturas e a DSI. No tocante ao mercado de trabalho, o texto menciona a encíclica Magnifica Humanitas para criticar propostas voltadas à remuneração por hora e a oposição ao fim da escala 6×1, argumentando que tais medidas ignoram a dignidade do trabalhador.
Em relação à soberania nacional, o documento resgata o trecho em que se afirma que “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral”, criticando promessas de submissão a potências estrangeiras e exploração de recursos estratégicos. O combate à pobreza também é abordado por meio da exortação apostólica Dilexi Te, criticando o histórico contrários a programas sociais atribuído ao grupo político opositor.
Outros temas abordados incluem o desarmamento, sustentado pelo Compêndio da Doutrina Social da Igreja, e a ecologia integral, com críticas à negação da crise climática com base na Laudato si’. O texto ainda repudia o apoio à tortura com base em diretrizes eclesiásticas e alerta sobre riscos à ordem institucional, fundamentando-se na Centesimus Annus para criticar a concentração de poder. Em contrapartida, a outra chapa é descrita como mantenedora da responsabilidade social e constitucional.
Apelo à participação nas urnas em Minas Gerais O encerramento do manifesto reforça o chamamento para que a população compareça às urnas, ressaltando que a neutralidade não é cabível diante do cenário.
Em Minas Gerais, cinco bispos assinam o documento, sendo Dom Geraldo Maia o único representante com sede diocesana estritamente no Vale do Jequitinhonha. Os demais prelados mineiros que assinam o texto são Dom Francisco Cota de Oliveira, de Sete Lagoas; Dom Joel Maria dos Santos, auxiliar de Belo Horizonte; Dom José Aristeu Vieira, de Luz; e Dom Paulo Mendes Peixoto, de Uberaba.