A implementação inicial do tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia já gera impactos positivos diretos na economia do Rio Grande do Sul, servindo como importante válvula de escape para o setor produtivo gaúcho diante dos prejuízos causados pelas sobretaxas norte-americanas.
Crescimento das vendas para o mercado europeu
Dados divulgados recentemente mostram que, entre janeiro e setembro deste ano, as exportações gaúchas para o continente europeu cresceram US$ 250 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. Desse montante total, US$ 230 milhões foram contabilizados a partir de maio, exato momento em que entraram em vigor as novas facilidades proporcionadas pelo acordo internacional.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, comentou os reflexos da eliminação de taxas alfandegárias: “Desde maio para cá, já há um número muito grande de produtos que ficam sujeitos a tarifa zero. A estimativa é que, em quatro anos, daquilo que a gente exporta para a União Europeia, 94% não tenha tarifa. Então, a tendência é de crescimento”, destaca Márcio.
Impacto positivo no emprego e mapeamento de oportunidades
O tema foi amplamente debatido durante o evento Conexões Produtivas, realizado em Porto Alegre, com a participação de lideranças governamentais e federais. Na ocasião, foram mapeadas cerca de 800 novas oportunidades comerciais para as empresas locais.
Estimativas da ApexBrasil apontam que o tratado comercial viabilizou a criação de aproximadamente 26 mil novos postos de trabalho no Estado ao longo deste ano. Os reflexos mais intensos dessa expansão econômica atingem as cadeias produtivas de municípios como Porto Alegre, Guaíba, Cachoeira do Sul, Rio Grande, Ijuí, Cruz Alta e Caxias do Sul. Atualmente, o território gaúcho abriga 3.246 companhias ativas no comércio exterior, sendo o segundo maior polo exportador do país, com 76% das vendas compostas por itens de alto valor agregado.
O impacto negativo do tarifaço dos Estados Unidos
Em contrapartida ao avanço no Velho Continente, o cenário comercial com os Estados Unidos tem sido desafiador. O Rio Grande do Sul figura entre os mais prejudicados pelas medidas protecionistas americanas, com mais da metade de sua pauta exportadora penalizada. Mercadorias estratégicas como armas, munições, tabaco e madeira enfrentam alíquotas de 37,5%, prejudicando o faturamento de 1.052 companhias locais e gerando uma retração de US$ 192 milhões nas vendas para o país norte-americano.
Atualmente, o mercado dos EUA responde por apenas 7% das vendas externas gaúchas, ficando atrás da fatia europeia, que alcança 13%, e da participação chinesa, que lidera com 22%. Diante desse cenário, o representante do governo federal defende uma postura de abertura e diversificação de parcerias estratégicas. “Durante muito tempo nós ficamos de costas para o mundo, e teve até quem dissesse que a nossa política de comércio exterior era da exclusão. Não é possível. É da integração produtiva, da cooperação bilateral”, afirmou.
Por fim, o ministério reforça a necessidade de manter o diálogo com todas as nações, inclusive buscando uma reaproximação comercial com vizinhos sul-americanos em momentos de instabilidade econômica regional. “O Brasil não tem contencioso com ninguém e precisa ser parceiro de todo mundo. É o que acontece com os Estados Unidos. A expectativa é de que a gente consiga fechar em algum momento um bom acordo”, pontuou o ministro.