Aumento alarmante: 258 indígenas assassinados em 2025 no Brasil Relatório revela crescimento da violência contra indígenas no Brasil, com 258 assassinatos em 2025. Saiba mais sobre os dados e suas implicações. Um estudo recente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) revela um cenário preocupante para os povos indígenas no Brasil: em 2025, foram registrados 258 assassinatos, um aumento em relação aos 211 casos do ano anterior. Este alarmante crescimento da violência ocorre em um contexto de insegurança e conflitos territoriais, com os estados de Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul liderando as estatísticas de crimes.
Dados preocupantes sobre violência contra indígenas
O relatório intitulado “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil” destaca uma escalada de ações violentas contra os indígenas, refletindo um ambiente de vulnerabilidade e constantes invasões de terras. Os números indicam um aumento nas agressões contra pessoas, patrimônio e a omissão do Poder Público, além de um crescimento nos conflitos relacionados a direitos territoriais, assassinatos, suicídios e mortalidade infantil.
Casos de violência contra a pessoa
Em um episódio que exemplifica a gravidade da situação, quatro indígenas do povo Avá-Guarani foram atacados no início de 2025 durante um confronto na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, que está em processo de demarcação. Um dos indígenas ficou paraplégico devido aos ferimentos. Outros casos, como a morte do Pataxó Vitor Braz na Bahia e do Guarani Kaiowá Vicente Fernandes em Mato Grosso do Sul, também evidenciam a luta pela demarcação de terras e a violência que essas comunidades enfrentam.
O impacto das leis e da omissão do Estado
O relatório sublinha que a violência não pode ser dissociada dos conflitos territoriais e da inércia do Judiciário em relação à Lei 14.701/2023, que trata do marco temporal. A falta de decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as inconstitucionalidades dessa lei agrava a situação, permitindo que invasores continuem a ameaçar as terras indígenas.
Violência contra o patrimônio indígena
Em 2025, os casos de violência contra o patrimônio indígena somaram 1.276, sendo a maioria atribuída à morosidade na regularização de terras. Das 1.443 terras indígenas no Brasil, 897 ainda aguardam alguma medida administrativa, e muitas permanecem sem qualquer providência para iniciar o processo de demarcação. Apesar de alguns avanços, como a homologação de terras e a criação de grupos técnicos pela Funai, a resposta do governo ainda é considerada insuficiente frente à demanda dos povos indígenas.
Desassistência e impactos na saúde
A desassistência à saúde é outro ponto crítico, com 215 suicídios indígenas registrados em 2025, um número que supera o do ano anterior. A maioria dos casos ocorre entre jovens, refletindo uma crise profunda. Além disso, 1.024 óbitos de crianças indígenas até 4 anos foram contabilizados, com muitas mortes decorrendo de causas evitáveis, como doenças infecciosas e desnutrição. O relatório também destaca a falta de acesso a serviços básicos de saúde e infraestrutura, agravada pela poluição dos recursos hídricos por agrotóxicos e mercúrio. O cenário é especialmente grave para os indígenas em luta por terras, que vivem em condições de extrema vulnerabilidade.
Povos isolados e risco de genocídio
Por fim, o documento alerta sobre os povos indígenas em isolamento voluntário, que não recebem proteção estatal e estão em risco iminente de genocídio. Com 119 registros de grupos isolados, apenas 28 foram confirmados pela Funai, evidenciando a falta de políticas de proteção adequadas. A situação dos povos indígenas no Brasil é alarmante e exige uma resposta urgente do governo e da sociedade para garantir seus direitos e segurança.