O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3) sua decisão de se desvincular do Instituto Iter, uma instituição privada dedicada a cursos de capacitação e pós-graduação executiva. A mudança ocorre quase dois anos após sua posse como ministro.
Desvinculação e Destinação de Recursos
Em comunicado, Mendonça esclareceu que nunca obteve lucros do instituto, que ele ajudou a fundar em novembro de 2021. O ministro informou que, além de abrir mão de suas cotas, sua esposa, Janei Mendonça, também fará o mesmo. Os recursos resultantes dessa participação serão direcionados para iniciativas sociais e educacionais.
Transformação do Instituto Iter
O Instituto Iter será convertido em uma entidade sem fins lucrativos, reforçando sua missão educacional e social. Mendonça continuará contribuindo como professor, lecionando no curso de “Arte e a Ciência da Oratória”. Esta decisão de reestruturação foi tomada em conjunto com Victor Godoy Veiga, presidente do instituto e ex-ministro da Educação.
Contratos e Polêmicas
Desde a sua criação, o Iter firmou mais de 55 contratos com instituições públicas em 14 estados brasileiros, totalizando cerca de R$ 10,8 milhões. Um levantamento revelou que 54 desses acordos foram fechados por meio de contratação direta, sem licitação, o que levanta questionamentos sobre a transparência das operações da entidade.
A reportagem da Agência Brasil já entrou em contato com o Instituto Iter para obter mais informações e aguarda uma resposta oficial sobre as recentes mudanças.
A decisão de Mendonça de se afastar da gestão do Instituto Iter e a transformação da entidade em uma ONG reflete um movimento em direção a uma maior clareza e responsabilidade social, em um momento em que a sociedade clama por maior transparência nas relações entre o setor público e privado.