A espessura da lã se revela um fator crucial para a rentabilidade dos ovinocultores do Rio Grande do Sul. De acordo com a Arco (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos), a cotação do quilo da lã pode variar de US$ 2,40 a US$ 10, dependendo da espessura da fibra, o que significa que o valor pode chegar a ser quatro vezes maior para as fibras mais finas.
Importância do diâmetro da fibra
O diâmetro da fibra, medido em micrômetros, é um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a qualidade da lã. Fibras mais finas são especialmente valorizadas na indústria têxtil, sendo utilizadas na confecção de produtos de alto valor agregado. Essa característica da lã, muitas vezes imperceptível a olho nu, torna-se um diferencial importante para os produtores.
Tradição e presença no mercado
Atualmente, o estado do Rio Grande do Sul abriga o terceiro maior rebanho ovino do Brasil, conforme dados da Embrapa Caprinos e Ovinos. O rebanho, que já contava com 3,3 milhões de ovinos em 2024, diminuiu para 2,6 milhões em 2025. Essa diminuição afeta a presença no mercado, onde o Rio Grande do Sul ainda concentra mais de 90% da lã brasileira destinada à produção têxtil.
Qualidade como diferencial
A melhoria na qualidade da lã e a correta classificação da fibra são alternativas para aumentar a rentabilidade dos ovinocultores sem a necessidade de expandir o rebanho. O programa de certificação já contabilizou quase 600 mil quilos de lã em quatro safras, e propriedades certificadas relataram, em 2024, um aumento de até 65,1% na receita por ovelha.
Eventos e oportunidades
O Concurso de Velos, promovido pela Arco e pela ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Corriedale), destaca a qualidade da lã de uma raça que, apesar de ter origem neozelandesa, se adaptou bem ao clima gaúcho. Nesse evento, são avaliadas as características que influenciam a classificação e o valor comercial da lã.
No dia 4 de setembro, a Expointer reunirá produtores e técnicos para debater o cenário atual da ovinocultura e explorar novas oportunidades de negócios. O encontro, organizado pelo SIA (Serviço de Inteligência em Agronegócios) e a Arco, visa fortalecer os laços da cadeia produtiva ovina, com a expectativa de que as discussões gerem ações concretas após a feira.
O gerente de projetos da SIA, Gustavo Heissler, enfatizou a importância de criar conexões entre diferentes perfis profissionais, permitindo identificar novas oportunidades dentro do setor. “Nosso objetivo é muito mais do que realizar um evento; queremos fomentar colaborações que levem a projetos reais”, finalizou.