Seja Bem Vindo - 25/10/2026 07:08

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Plano econômico de Flávio Bolsonaro preocupa economistas

O plano econômico proposto pelo senador Flávio Bolsonaro para o país, popularmente chamado de “tesouraço”, prevê a desvinculação de despesas públicas em relação à inflação. A medida acende um alerta sobre o futuro de investimentos essenciais em áreas como saúde e educação, além de sugerir alterações nas regras de aposentadoria e na política de reajuste do salário mínimo.

Riscos para o desenvolvimento social

Em entrevista concedida ao programa Conexão BdF, a professora e pesquisadora Marilane Teixeira, vinculada ao Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Cesit-IE), classificou a iniciativa como temerária. Segundo ela, a proposta não apenas compromete setores vitais, mas também tem o potencial de provocar uma estagnação generalizada na atividade econômica nacional.

A especialista critica a justificativa oficial de que o ajuste fiscal rigoroso é o único caminho viável para o controle da dívida pública brasileira. “Ele quer convencer de que a única forma de controlar a dívida pública é reduzindo gastos em áreas essenciais, áreas fundamentais, áreas inclusive que são consideradas estratégicas, né, para um projeto de desenvolvimento econômico e social de um país, que preserva a dignidade e o direito ao acesso às políticas públicas, que é o povo brasileiro. Isso é um equívoco”, afirma.

Impacto direto no consumo interno e no PIB

O cenário projetado por Teixeira une a desaceleração econômica prevista para o próximo biênio e a manutenção de patamares elevados na taxa básica de juros. Nesse contexto, a aplicação das medidas defendidas pelo parlamentar pode gerar consequências desastrosas para o consumo interno, motor principal da economia do país.

Dados indicam que cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro decorre diretamente do consumo das famílias, com forte reflexo na sustentação econômica de municípios de pequeno porte. “É o consumo interno que garante, que alavanca o crescimento econômico do país. Se você reduzir uma parcela da disponibilidade e renda da população, principalmente da população mais pobre, a população, por exemplo, dos mais de 40 milhões, que depende da aposentadoria, considerando que hoje em torno de 80% a 90% recebe dois salários mínimos, significa injetar menos dinheiro na economia”, explica.

Atendimento aos interesses do mercado financeiro

Para a pesquisadora, a formulação dessas propostas econômicas ignora tais variáveis porque o objetivo central seria atender às demandas do setor financeiro.

“Não estão comprometidos ou interessados em esclarecer à população e à sociedade os riscos que essas medidas que estão anunciando podem resultar para o conjunto da economia”, afirma. Ela reforça que a concretização das promessas feitas pelo senador resultará em severos prejuízos para a expansão econômica nacional.

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