O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rompeu o silêncio neste domingo (25) após confirmar sua vitória nas urnas, garantindo mudanças profundas na administração federal e maior participação popular nas decisões do Executivo.
Transformações na gestão pública e foco digital
Durante seu primeiro pronunciamento após o resultado, o petista enfatizou que a internet e as redes sociais terão um papel central na nova fase de seu governo. “Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, disse.
O chefe do Executivo também apontou a necessidade de impor regras mais rígidas às grandes empresas de tecnologia, mencionando interferências externas durante a disputa eleitoral. “Nessa eleição, a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regular”, afirmou. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando bilhões e não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.
Combate ao negacionismo e críticas ao adversário
Ao avaliar o pleito, o presidente classificou o resultado como um triunfo contra o negacionismo e direcionou duras críticas ao seu oponente na disputa, Flávio Bolsonaro, associando o adversário a práticas criminosas. “Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira, e eu confesso a vocês que, cada vez que ia ao debate, eu ficava constrangido, porque eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com BRICS, G20, G7, discuto os principais assuntos do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país”, declarou.
Agradecimentos aos aliados e articulação política
O discurso também foi marcado por agradecimentos à militância, aos jovens, aos idosos e a figuras-chave da campanha, como o deputado federal André Janones (Rede-MG) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). “Quero agradecer a esse companheiro Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar o moral da nossa tropa”, afirmou, antes de elogiar o parceiro de chapa: “Feliz o presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade que eu tenho no Alckmin”.
Sobre a relação com o Poder Legislativo, Lula descartou que a composição conservadora do Congresso represente um entrave intransponível para a governabilidade. “Já tem gente falando que eu vou ter muita dificuldade para governar porque está muito conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar para aprovar as coisas”, garantiu.
Metas para saúde, educação e tecnologia
No campo das políticas públicas, o presidente eleito destacou o fortalecimento do SUS, a valorização feminina e a atenção especial voltada à população idosa. “Tenho que governar para 215 milhões, para todas as idades, mas, no próximo mandato, eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os velhinhos”, pontuou.
Na área educacional, o plano inclui a expansão das escolas de ensino médio em período integral e a criação de uma modalidade do programa Pé-de-Meia voltada para universitários. O governo também planeja focar em ciências exatas para diminuir a dependência tecnológica externa. “Nós queremos universalizar a escola de tempo integral no ensino médio, vamos criar o Pé-de-Meia universitário para que nenhum jovem ou menina desista de estudar porque tem que trabalhar”, declarou. “Vamos ensinar mais matemática e engenharia porque eu não quero depender de IA americana ou chinesa, quero criar uma brasileira”, completou.
Por fim, o petista revelou que pretende utilizar os dois meses que antecedem a posse para dialogar com diferentes segmentos da sociedade civil organizada. “Tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, com os educadores, com os cientistas, com as mulheres”, concluiu.