Jovens clamam por mais voz na COP17 sobre desertificação Entenda como Beatriz Azevedo defende a inclusão dos jovens nas decisões da COP17 e os desafios enfrentados na luta contra a desertificação. A participação juvenil nas conferências internacionais sobre meio ambiente tem avançado, mas a integração real nas decisões ainda é um desafio. Essa é a análise de Beatriz Azevedo, uma advogada cearense de 33 anos, recentemente reconhecida como uma das dez “Land Heroes” (heróis da terra) pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
Reconhecimento e Ação no Combate à Desertificação
O título de “Land Hero” é concedido a jovens e organizações que se destacam em ações contra a desertificação, degradação de terras e secas. O objetivo dessa premiação é dar visibilidade aos protagonistas da mudança e integrá-los nos processos da convenção. Beatriz expressa sua expectativa de que os jovens sejam parte da solução para a crise ambiental, embora a falta de infraestrutura, financiamento e oportunidades profissionais ainda seja um obstáculo significativo.
A COP17 e a Inclusão dos Jovens nas Decisões
A COP17, que teve início em 17 de agosto e se estenderá até 28 de agosto em Ulaanbaatar, na Mongólia, reúne representantes de 197 países, além de cientistas, empresas e organizações da sociedade civil. O tema central da conferência é “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”, e discute questões como restauração de terras, seca e segurança alimentar. Beatriz Azevedo, que também preside a Comissão de Direito Ambiental da OAB e fundou a ABA Climate Solutions, acredita que a COP17 é uma oportunidade crucial para dar visibilidade aos problemas que afetam o Nordeste brasileiro. Enquanto as discussões climáticas geralmente se concentram na Amazônia, a conferência sobre desertificação possibilita que a Caatinga e o Semiárido ganhem destaque.
Conexão com a Realidade do Nordeste
Em sua atuação, Beatriz busca levar a realidade do Ceará aos fóruns internacionais, onde já apresentou soluções desenvolvidas ao longo de 14 anos. Sua empresa está em processo de adesão à coalizão Business4Land, que promove negócios sustentáveis relacionados à terra. Ela ressalta que muitos jovens premiados estão diretamente envolvidos em projetos de restauração em diversas partes do mundo, enquanto ela se dedica a conectar financiadores com iniciativas locais.
Desafios e Expectativas de Representatividade
A evolução da participação juvenil nas conferências é notável, com a criação de espaços como o Youth Forum e programas como Land Heroes e Youth Negotiators. Contudo, Beatriz enfatiza que o verdadeiro desafio é garantir que as contribuições dos jovens sejam incorporadas nas decisões finais das conferências. A advogada também destaca a necessidade de uma participação específica da juventude nos debates, pois eles trazem energia e projetos de grande impacto. A nova geração está se preparando para liderar em um mundo afetado por crises climáticas, e sua inclusão é fundamental para a construção de soluções sustentáveis.
Expectativas para a COP17 e o Papel da Bioeconomia
Beatriz observa que o governo brasileiro tem enfatizado a bioeconomia, buscando integrar a restauração da terra com benefícios socioeconômicos. Iniciativas como a cultura da macaúba para a produção de combustível sustentável podem ser associadas a projetos de restauração, promovendo ações que beneficiem tanto o meio ambiente quanto as comunidades locais. Ela também destaca a importância da demarcação de terras indígenas e a necessidade de garantir direitos, ressaltando que o financiamento adequado é essencial para que as comunidades locais possam se beneficiar das iniciativas de preservação e restauração.
Aumentando a Visibilidade da COP da Desertificação
A COP da Desertificação frequentemente recebe menos atenção do que as conferências climáticas e de biodiversidade. Beatriz acredita que isso representa uma oportunidade para dar destaque às questões que afetam o Nordeste e garantir que suas demandas sejam ouvidas.
Pressão e Saúde Mental dos Jovens Ativistas
Beatriz reconhece a pressão que muitos jovens enfrentam em um cenário de urgência climática e degradação ambiental. Ela mesmo se afastou das conferências internacionais por um período devido à sobrecarga emocional, mas retornou com um novo foco: o financiamento de iniciativas locais. Sua experiência demonstra que, embora o ativismo possa abrir portas, é necessário um suporte estrutural para que as ações se tornem sustentáveis.
Uma Mensagem de Esperança
A advogada encerra com uma mensagem de esperança para os jovens que desejam se envolver na agenda ambiental. Ela incentiva a busca por soluções e a atuação em projetos que podem gerar um impacto positivo na sociedade, reforçando que é possível alinhar objetivos pessoais com ações em prol do meio ambiente. A cobertura da COP17 da Desertificação está sendo realizada por uma equipe de jornalistas selecionados pela UNCCD, que visa trazer à tona as discussões e desafios enfrentados no combate à desertificação e na promoção de um futuro mais sustentável.