O Rio Grande do Sul está passando por uma transformação sem precedentes no setor de saneamento básico, com a Corsan investindo R$ 6 bilhões nos últimos três anos. O objetivo audacioso é alcançar 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033, segundo a presidente da companhia, Samanta Takimi.
Progresso significativo na coleta de esgoto
Nos próximos três anos, a cobertura de esgoto nas cidades atendidas pela Corsan deve aumentar de 19% para 30%. Isso representa um avanço impressionante, considerando que a companhia implementou metade do que havia realizado em quase seis décadas. Foram instalados 1,1 mil km de novas redes de esgoto, 18 novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e 116 elevatórias, beneficiando cerca de 852 mil pessoas. O impacto ambiental é significativo, com 17,69 bilhões de litros de esgoto tratados anualmente, o que equivale a aproximadamente 7 mil piscinas olímpicas.
Expansão do abastecimento de água tratada
No que diz respeito ao abastecimento de água, a Corsan investiu R$ 810 milhões, resultando na construção de 500 km de redes, 7 estações de tratamento, 10 reservatórios e 296 poços profundos. Como resultado, 186 mil novas residências agora têm acesso à água potável, o que também contribui para a segurança hídrica durante períodos de seca e chuvas intensas.
Desempenho comparativo com o Brasil
De acordo com dados do Instituto Trata Brasil, em 2022, apenas 36% da população do Rio Grande do Sul tinha acesso à coleta de esgoto, enquanto a média nacional era de 55%. Embora o estado esteja avançando, ainda enfrenta o desafio de se aproximar de estados como São Paulo, que já superou 90% de cobertura.
Uso de tecnologia para redução de perdas
A Corsan adotou tecnologias avançadas, como o Centro de Operações Integradas, que monitora 312 unidades e mais de 4,3 mil ativos em tempo real. Isso resultou na redução do índice de perdas de água, que caiu de 44% para 40%, com a identificação de 27 mil vazamentos ocultos por meio de técnicas de geofonia e uso de satélites. Esse desempenho alinha a Corsan a práticas de empresas de saneamento na Europa, onde a meta é manter perdas abaixo de 30%.
Inovação e produção própria para eficiência
O Parque de Infraestrutura e Inovação, localizado em Esteio, possibilita a produção de até 200 km de tubulações por mês, além de sulfato de alumínio para o tratamento de água. Essa verticalização dos processos reduz custos e acelera a realização de obras, semelhante a modelos utilizados por companhias de saneamento na Ásia.
Inclusão social e conscientização
A Corsan também se destaca pelo avanço na inclusão social, com a Tarifa Social aumentando de 45 mil para 240 mil famílias beneficiadas, alcançando cerca de 640 mil pessoas. Projetos educativos, como a Patrulha contra os Vilões do Esgoto, já envolveram 10 mil estudantes em 22 cidades, promovendo a conscientização sobre a importância do saneamento na vida cotidiana.
O Rio Grande do Sul está diante de uma oportunidade histórica para transformar sua realidade em saneamento e se tornar uma referência nacional nesse setor. A continuidade desse progresso até 2033 é essencial, como destaca Samanta Takimi: “A universalização é uma transformação que impacta diretamente a vida das pessoas e o futuro das cidades.”