Comunidades da etnia Guarani Kaiowá, localizadas no estado de Mato Grosso do Sul, relataram uma série de episódios de violência, incluindo atentados contra a vida e riscos de contaminação da água coletiva, logo após o encerramento do pleito presidencial.
H2 Investigações de homicídios e intimidações políticas Informações divulgadas apontam que pelo menos cinco ocorrências de mortes violentas de nativos na região, registradas desde um sábado, passaram a ser apuradas pelas autoridades competentes.
O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, diz que os indígenas relatam diversos casos de intimidações durante a eleição. “Caminhonetes que rodavam pelo território e algumas agressões aos indígenas para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar”.
Apesar do clima de tensão recente, o representante do órgão indigenista pontua que a hostilidade no território sul-mato-grossense é um problema contínuo e estrutural.
“Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse.
H3 Ações de órgãos de proteção e casos na fronteira Diante da gravidade dos relatos, instituições de defesa dos direitos originários acionaram instâncias federais de investigação. Entre os episódios sob análise está um atropelamento intencional contra um morador nativo registrado no município de Coronel Sapucaia, área de fronteira com o Paraguai.
Levantamentos indicam que dezenas de ocorrências letais contra membros dessa mesma etnia foram contabilizadas no estado nos últimos anos.
H2 Ameaça de contaminação da água potável Outra situação alarmante que passou a ser apurada envolve um áudio com ameaças direcionadas à população local como represália ao pleito presidencial.
Na gravação atribuída a um servidor público municipal de Tacuru, há instigações violentas contra os nativos devido à preferência eleitoral. Na gravação ele fala: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.
Especialistas jurídicos alertam que o acesso ao recurso hídrico na região já é precário, dependendo frequentemente de veículos de abastecimento. Com a repercussão da gravação, moradores locais suspenderam o consumo. O Ministério Público Federal estipulou prazo para que a administração municipal preste esclarecimentos sobre a autenticidade do material e a identidade do autor das falas.