Durante a 49ª Expointer, um grupo de especialistas se reuniu para discutir soluções para um dos principais entraves da bubalinocultura no Rio Grande do Sul: a falta de matéria-prima para o único frigorífico de leite de búfala em operação no estado. O encontro reuniu representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Emater/RS, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação e Desenvolvimento Rural (Seapi) e da Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu).
Desafios e estratégias de desenvolvimento
O objetivo do encontro foi delinear estratégias que fortaleçam a produção local e garantam o abastecimento da indústria de laticínios, promovendo um crescimento sustentável para o setor. O coordenador do Grupo de Estudos em Bubalinocultura (Gebu) da UFRGS, professor Diogo Magnabosco, destacou a importância de incluir representantes da cadeia produtiva na Câmara Setorial do Leite, criando um grupo de trabalho específico. “Para realmente fomentar a produção de leite de búfala, precisamos aumentar a escala de produção e atender à demanda local”, enfatizou.
Dependência de leite de outras regiões
Atualmente, o Rio Grande do Sul depende de leite de búfala de outras áreas para suprir seu mercado local. Com apenas um frigorífico ativo, a capacidade de processamento é limitada. Magnabosco ressaltou que aumentar o número de produtores pode facilitar a ativação de novos laticínios. “A produção pode ocorrer em pequena escala, dentro da agricultura familiar, em regiões próximas aos locais de processamento”, afirmou.
Benefícios do búfalo na produção rural
O professor também ressaltou as vantagens sanitárias e produtivas do búfalo, que se destaca como uma alternativa viável para pequenos produtores. “Esses animais exigem menos cuidados sanitários, são mais resistentes ao carrapato e têm menor incidência de mastite, resultando em uma produção eficiente e de alta qualidade”, explicou. Além disso, o leite de búfala oferece maior rendimento na produção de mozzarella, um produto altamente valorizado no mercado gastronômico.
Capacitação e extensão rural
Uma das propostas discutidas foi a criação de programas de capacitação e extensão rural voltados para pequenos produtores e alunos de escolas técnicas agrícolas. O objetivo é disseminar conhecimento sobre manejo, nutrição e o potencial econômico da bubalinocultura, incentivando novas adesões ao sistema produtivo. A Emater/RS e a Seapi devem colaborar na formulação de políticas públicas e orientações técnicas, enquanto a UFRGS e a Ascribu se comprometerão com a pesquisa e a transferência de tecnologia.
O futuro da bubalinocultura no Rio Grande do Sul
O fortalecimento da cadeia produtiva do leite de búfala pode abrir novas oportunidades no Rio Grande do Sul, especialmente em áreas com potencial para sistemas de produção familiares e sustentáveis. A criação de um grupo de trabalho permanente permitirá integrar pesquisa, extensão e mercado, aumentando a competitividade do setor e diversificando a matriz produtiva do estado. Essa iniciativa representa um passo significativo para tornar o Rio Grande do Sul uma referência nacional em bubalinocultura, aliando ciência, tradição e inovação para atender à crescente demanda por produtos de alto valor agregado.