Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez história no domingo (25) ao ser eleito para o seu quarto mandato como presidente da República. A virada nas urnas foi impulsionada por uma alta adesão popular, com o petista somando cerca de 10 milhões de votos a mais do que no primeiro turno, enquanto seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), avançou aproximadamente 3 milhões.
A mobilização social e a democracia
Para o cientista político Paulo Nicolli Ramirez, o triunfo nas urnas decorreu diretamente da forte articulação da sociedade civil tanto nas ruas quanto no ambiente digital. “Foi uma vitória da democracia. Foi o movimento mais bonito que tivemos nas ruas a favor da democracia desde as Diretas Já”, afirma.
O especialista avalia que o momento exige transformações estruturais no país. “Esse mandato deve ser o mais importante do Lula; ele deve fazer reformas sociais mais profundas, começando pela reforma agrária. O fim de Lula será, ao mesmo tempo, a origem de outro país”, completa o cientista político.
Os desafios institucionais e o Congresso
Outro ponto destacado por Ramirez é a preservação institucional, visto que o resultado eleitoral “salvou o STF de ter mais quatro pessoas como Kassio Nunes Marques e André Mendonça”. Em contrapartida, a articulação com os parlamentares exigirá fôlego redobrado do Palácio do Planalto.
De acordo com o analista, “a configuração de Congresso que ele vai ter no próximo ano é pior do que a da Dilma quando houve o impeachment. Porém, o apoio que Lula e o petismo têm hoje da sociedade civil é infinitamente maior do que aquele que a Dilma tinha”.
O embate digital e a atuação parlamentar
Diante desse cenário adverso no Legislativo, o cientista político defende uma estratégia de enfraquecimento político da oposição baseada no ativismo digital e na pressão popular organizada.
Ramirez afirma ainda que “agora é hora de pressionar esses congressistas acéfalos, como Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira. A próxima batalha algorítmica é derrubar um por um, sem usar violência. No sentido de desmoralizar e desnudar o que são essas pessoas. Não basta tirar a possibilidade de um novo Bolsonaro chegar ao poder, é preciso retirar do Congresso figuras que não têm outra função do que degenerar a própria democracia”.
Repercussão internacional e geopolítica
No cenário externo, a condução do novo governo brasileiro ocorre em meio a um panorama global desafiador, marcado por crises no capitalismo imperialista, pelo fortalecimento da China e por manifestações populares na Europa.
“O Brasil se impõe, com a possibilidade, inclusive, de mudar a geopolítica na nossa região, na América do Sul, com a possibilidade, daqui a alguns anos, de influenciar os processos eleitorais nos nossos vizinhos”, conclui Ramirez.